<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400</id><updated>2012-01-25T22:32:44.506-08:00</updated><title type='text'>LA Circus</title><subtitle type='html'>Um exercício de observação da vida e das pessoas a partir da cidade de Los Angeles</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-126196454316598646</id><published>2007-12-11T18:22:00.000-08:00</published><updated>2007-12-11T20:33:59.021-08:00</updated><title type='text'>Chega. Pedi demissao. Vou voltar pra casa.</title><content type='html'>Chega. Pedi demissao. Vou voltar pra casa. Mais uma vez a vontade de estar em outro lugar que nao onde estou agora me tomou de assalto. E' quase um vicio: chegar, abrir a porta, curtir a festa, partir. Encontrei minha melhor amiga sul-coreana dia desses. Nao a via desde 2001, quando viajamos por toda Coreia do Sul. Gastamos horas conversando sobre todas as coisas, nossas vidas, os caminhos que elas tomaram, as pessoas. As pessoas! Eu amo as pessoas. Elas fazem todo o sentido. Todas as respostas estao nas pessoas e a maioria das pessoas nao percebe. E' dificil, eu sei. So' as pessoas te fazem humanista, te conduzem ao divino, te enterram no inferno. Como e' sublime ser conduzido ao divino! Como e' divino ser enterrado no inferno! Budista, Young Soon (que lindo nome o dela) tem a percepcao afiada. Por isso nossa conversa foi tao longe. Algumas pessoas nao precisam de muito tempo para ir tao longe. Gostei quando ela me chamou de "traveling soul". Ela sacou perfeitamente o meu desespero em chegar e partir, conhecer, consumir, ver, observar, conduzir, entregar-se, despreender-se, LIBERTAR-SE. E ainda assim tudo parece ser bem menos do que poderia ter sido feito. Mas e' do realizado que se obtem a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedir demissao e' muito doloroso pra mim. Eu nao gosto de pedir demissao. E' como dizer nao. Porque significa partir. E nas minhas partidas muita gente fica pra tras. Me vejo obrigado a deixar na estacao muita gente que gostaria que subisse no trem comigo. E' tao egoista... porem tao sincero. Vida de trem: assim disse meu gerente la' do restaurante. Levamos vida de trem. Uns descem, outros sobem, uns ficam nas fotografias, outros viajam junto. E ai' eu me pressiono demais. O que estou fazendo comigo? Por que vou vivendo assim? Qual coragem a minha? Qual fraqueza? Sou corajoso por partir ou fraco por nao resistir? Por que eu mesmo causo minhas dores? Porque eu mesmo ofereco minhas curas. O que as pessoas representam pra mim? E o que eu represento para as outras pessoas? Algo. Nada. Ou tudo. Nada ou tudo e' assustador. Puta que pariu, nada ou tudo e' muito assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e' uma decisao tomada. Eu gosto das decisoes tomadas. Implica um monte de coisas que preciso agora de mais 15 latas de cerveja para lista-las. E o meu dinheiro acabou e nao tenho como compra-las. Vai fiado? Algum camarada vai me comprar um pacote de 12 latas. Certeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alias tomei muita cerveja no ultimo mes. Todas as noites. Quero dizer, TODAS as noites, entende? Qual a desculpa? Hummm... proximidade da partida; fuga da realidade; diversao; gosto de cerveja mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto muito por nao ter escrito tanto quanto eu gostaria de ter escrito. Ja' disse antes. Mesmo que tivesse um laptop nas maos 24 horas ao dia, ainda assim nao teria escrito tudo o que gostaria de compartilhar. Alguns entendimentos sao tao proprios que nao ha' como compartilhar. Por mais que eu queira. E' preciso parar e deixar cada um seguir na onda que melhor aparecer. E eu vou `as lagrimas quando nao consigo dizer tudo. Porque nao e' tudo que precisamos compartilhar. Nao por nos mesmos. Mas porque cada um segue numa fase diferente, numa levada diferente, num nivel diferente de entendimento. De forma que o mais simples e lindo chega a nao fazer sentido algum. Eu nao posso deixar o mais simples nao fazer sentido algum. Prefiro conserva-lo ate' que o faca. E' um grande problema esse. Calar-se. Eis o maior aprendizado do isolamento. Da solidao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir. Observar. Sair do proprio corpo. Render-se. Refletir. Refletir: fazer retroceder, desviando da primeira direção; reproduzir; espelhar; retratar; revelar; repercutir; pensar; ter influência; produzir efeito; ponderar; observar; objectar; incidir; recair; repercutir-se; transmitir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber, amanha vou subir a montanha. Ela esta' linda. Coberta de neve, reluzindo o sol. Eu preciso pegar o carro e subir. Sim, e' o que vou fazer. Agradecer e exaltar o meu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La' eu tento me despedir dos meus dias angelenos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-126196454316598646?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/126196454316598646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=126196454316598646' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/126196454316598646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/126196454316598646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/12/chega-pedi-demissao-vou-voltar-pra-casa.html' title='Chega. Pedi demissao. Vou voltar pra casa.'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-2093707594351980344</id><published>2007-12-06T19:37:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T21:11:18.982-08:00</updated><title type='text'>Os textos estao mudos</title><content type='html'>Eles sao educados. Silenciosos. Dao passagem para pedestres e automoveis. Andam vagarosamente pela calcada. Compartilham o cafe da manha e o lanchinho da tarde. Sao pacientes: 8h00 da manha estao plantados na porta da CBS; 17h00 tambem. Eles sao os grevistas mais comentados dos ultimos tempos. Sao os roteiristas de Hollywood. Os caras que escrevem toda a palhacada e as coisas legais que o mundo inteiro ve. Cada pessoa desse planeta sabe dizer "porra, aquele filme tem uma frase...". Eles exibem diariamente cartazes com o desenho de um punho cerrado segurando uma caneta. E distribuiram por toda Los Angeles outdoors dizendo "Studios, do the write thing!". Muito bem sacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto e' tudo e os textos estao parados, engavetados. Angelina Jolie falando besteira perde (grande) parte do charme. Brad Pitt dizendo idiotices fica sem graca (ou nao?). Varios programas de televisao estao atrasados porque os atores nao (tem) sabem o que falar. E' uma greve interessante. Sem abrir a boca voce tem o poder de calar a todos. E' so' uma questao de atitude. Se vai dar resultado ou nao, essa e' outra cronica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga que conheci bem pouco tempo atras - roteirista, cineasta e antropologa - me chamou de observador participante. O que os antropologos diriam de "afetado" pela cena. No sentido de que o afeto e' fundamental e eu me envolvo com cada momento meu. Puts, ela esta' certa. Eu sou assim. Um roteirista da CBS foi almocar no restaurante dia desses. Quando me vi, ja' estava entupindo o cara de perguntas. Ele me explicou que os roteiristas estao em greve porque ganham menos de 1% do produto final - o filme. Em termos de porcentagem, deve ser uma merreca mesmo. Os diretores ganham milhoes. Os atores ganham bilhoes. A industria ganha trilhoes. Os caras que sao o principio de qualquer historia... bem, esses sao os grevistas. Lembrei agora de uma entrevista de Charles Bukowski, que encontrei na internet, onde ele diz que viveu tudo porque sempre ha' algo para ser dito. Por isso ele se envolveu com tantos momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, todas as manhas eu caminho por entre os grevistas. Estaciono meu carro na quadra atras da CBS. Caminho um pouco pela Beverly ate' o cruzamento com a Fairfax. E naquela esquina mora uma mendiga, no ponto de onibus. Uma senhora. Largada, suja, fetida. Nuvens ou sol, embaixo de um cobertor encardido. Tudo o que ela tem sao alguns trapos guardados num carrinho de supermercado e uma mala de viagem bem velha. Sempre sentada, esperando alguma coisa. Nos ultimos dias ela tem comido uns hamburgueres. Nao sei como. Talvez alguem passse por la' e garanta a refeicao. Ainda nao descobri onde ela faz as necessidades fisiologicas. Eu devo ter virado mais um no cotidiano dela. Muito embora ela ainda nao tenha olhado pra mim. Ao menos nao percebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atravesso o farol, tem outra mendiga do lado de la'. Morando no ponto de onibus da esquina oposta. Ela esta' sempre lendo um livro. Isso naturalmente me deixa muito curioso. Ja' tive vontade de parar e trocar aquele papo. Mas o cheiro me impede. Mesmo que o meu estomago esteja vazio, temo pelo pior. Vou me superar. Ela e' o tipo de pessoa que vale a pena puxar uma conversa, certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passos adiante, roteiristas-grevistas manifestam surdamente. Ninguem escreve sobre as mendigas de Los Angeles. Acho que elas nao interessam a ninguem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-2093707594351980344?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/2093707594351980344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=2093707594351980344' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/2093707594351980344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/2093707594351980344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/12/os-textos-estao-mudos.html' title='Os textos estao mudos'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-4943800376322248177</id><published>2007-11-29T22:25:00.000-08:00</published><updated>2007-11-30T11:41:09.344-08:00</updated><title type='text'>Madrugada</title><content type='html'>Lindsey e' loira, seios fartos, alta, sorridente, chega sempre primeiro das outras. Ruth, baixinha, gordinha, adora falar sobre qualquer assunto. Farah e' morena dos tons paquistaneses, cabelos pretos, lisos, olhos amendoados como os das mulheres centro-asiaticas, conservando ares de misterio. Filhas da classe trabalhadora americana, de pais imigrantes que fazem turnos estonteantes nas fabricas californianas. Vinte e alguns anos de idade. Nao terminaram o colegial. Nem querem. Girls just wanna have fun. Entraram na fila do restaurante e jantaram com uma fome violenta. Lindsey pagou tudo. Ficamos felizes quando Lindsey voltou para validar o cartao do estacionamento. Ela e' daquelas garotas usam seus contornos so' para dizer "estou aqui". Foram embora sem deixar rastro... nem telefones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fechamos o restaurante, Alejandro - um mexicano que ama rap - me chamou para uma cerveja. Tomamos num dos bares do mercado. Ele e' sonhador, entende de rap. Esta' aqui para trabalhar e gravar suas musicas. Ate' me mostrou varias delas, muito boas. Nas viagens de onibus, vai sempre gravando as ideias no celular. E ele tem melhorado o ingles cada vez mais, por isso se sente livre para sair e conhecer pessoas. Ele nao gosta da mentalidade da maioria dos mexicanos de Los Angeles, que vive aqui nos subempregos apenas para jundar dinheiro e mandar pra casa. Ele viu em mim uma interseccao: a vontade de viver coisas legais e aproveitar a graninha da melhor maneira possivel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bar fecha cedo, entao fomos tomar outras cervejas no segundo bar do mercado, onde estava rolando um karaoke. Alejandro queria subir no palco, exercer o seu rap, torcer para alguem importante estar por la'. Ele so' precisava de um conhecido na plateia. Eu, claro, que sou ponta firme. Viramos nossas bud e Zay G (o nome artistico dele...) colocou seu nome na lista. Escolheu Eminem e mandou muito bem. Quando ele desceu, foi ate' bastante cumprimentado. E nao e' que uma cantora estava presente e trocou cartao com ele??? Ela canta profissionalmente na noite angelena e o convidou para fazer alguma coisa juntos. Quem sabe. Espero que ele nao se esqueca de mim quando for famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zay G voltou pra mesa e demos de cara com... Lindsey, Ruth e Farah. Pronto, a noite estava desenhando algo interessante. Ate' ai' nao tinhamos nos apresentado ainda, mas comecamos a conversar assim mesmo. Elas ja' tinham bebido muito mais do que a gente. E as mesas nessa altura estavam todas "integradas". Pareciamos amigos de longa data, incluindo outros caras perdidos por la'. Sempre vai chegando mais um(a). As tres e outras garotas se animaram para fazer um set de Spice Girls. Posso dizer que executaram com muita desenvoltura. Ruth tambem adora rap e adorou a apresentacao de Alejandro. Ruth morreu de inveja quando soube que fui ver Public Enemy, Cypress Hill, Wu Tang Clan e Rage Against the Machine na mesma noite. Ali ganhei a amizade e a confianca dela. Mas, de novo, o bar fecha cedo - um verdadeiro problema aqui em Los Angeles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvemos procurar outro bar. Lindsey, sempre na frente, procurando tomar conta da situacao (pois sabe que nos, babacas, vamos atras), disse que queria ir num clube de strip tease. Ficamos com aquela cara de "hum... que roubada...". Eu indiquei o Body Shop, na Sunset Strip, mas Lindsey pensou no Girls, Girls, Girls, em Hollywood. Evidentemente ela venceu. Nos juntamos em dois carros e fomos. Eu dirigindo o meu carro e ela, o dela. Acontece que o Girls, Girls, Girls, naquela hora da madrugada, nao vendia mais bebida alcoolica. Pior: 20 dolares so' pra entrar. Sem chance. Fiquei meio injuriado. Queria beber cerveja num lugar bacana. Mas ela insistiu na ideia e bateu o pezinho dizendo que queria procurar alguma coisa na Vermont. Ela estava meio no grau e disse que nao sabia ir pra Vermont. Um doce desnecessario. Entao eu fui na frente e ela me seguiu. Chegamos na Vermont e nao encontramos nada de interessante, pois a Vermont ja' esta' no final de Hollywood. Ela abasteceu o carro e, no posto de gasolina, falei com Alejandro: "cara, essa loira ta' me deixando puto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma e outra chamada pelo celular, decidimos partir finalmente pra Sunset, o meu lugar de preferencia em Los Angeles. E' claro que encontramos um bar aberto. Um lounge legal, cheio de sofas, musica e tal. Finalmente conseguimos tomar outras rodadas de cerveja. Eu confesso que fiquei bodeado com Lindsey e gastei meu tempo conversando com Ruth. Essa sim sabe conversar. Infelizmente para uma falta cerebro e para outra, beleza. Coisa comum de acontecer pelas madrugadas. Ruth nao ficou mais bonita por causa das cervejas, mas o papo rendeu bastante. Ela me contou tudo sobre as meninas: as drogas, as fugas de casa e da escola, as revoltas contra os americanos conservadores, a musica, Bush e as guerras. Nao lembro exatamente da consistencia do dialogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bar fechou de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao deu nem tempo para a ultima rodada de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lindsey ainda queria entrar num strip club e pediu o Body Shop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao obrigado, agora vou pra minha casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-4943800376322248177?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/4943800376322248177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=4943800376322248177' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4943800376322248177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4943800376322248177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/11/madrugada.html' title='Madrugada'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-1606750738812441792</id><published>2007-11-27T19:50:00.000-08:00</published><updated>2007-11-27T21:46:35.617-08:00</updated><title type='text'>Todo dia e' hoje</title><content type='html'>Depois de beber muita cerveja, acordei com uma vontade incrivel de cair na estrada. Mas assim uma estrada long road, endless, daquelas que a gente roda ate' o carro nao servir mais pra nada. Na verdade eu queria dirigir ate' o Alasca. Legal, gostei da ideia. Agora eu quero ir pro Alasca. Ancorage. Monte Denali. Deve ser demais. Enquanto nao largo tudo pra fazer isso tambem, enchi o tanque do carro e peguei a Pacific Coast Highway, sentido sul. O maximo que conseguiria: duas horas ate' San Diego. Sai' de casa com a praia de La Jolla na cabeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outono. O sol brilhando e o vento frio. Sempre seco. Ate' ai', tudo bem, porque e' seco tambem no calor. Acontece que a janela da estrada e' implacavel comigo. A estrada beirando o oceano. Injeta na minha cabeca uma quantidade absurda de pensamentos para o futuro, de analises do presente e de lembrancas do passado. As lembrancas do passado sao crueis, no sentido de que as boas memorias duelam com as ruins. E as ruins sempre tendem a vencer, uma vez que vao direto na jugular. Magoam muito. Entao eu saio da briga e fico com as boas, pois elas fazem-me sentir um verdadeiro felizardo, um vencedor. Ai' eu lembro o quanto eu gosto da minha vida, de mim e das pessoas do meu convivio. Eu nao tenho o direito de reclamar, pois a maior ficha que aprendi e' que as coisas se resolvem. De um jeito ou de outro, mas se resolvem. Entao estou livre e consigo retomar os meus sentidos para apenas sentir o cheiro do ar que respiro, as cores que vejo, o tempo que gasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a grande equacao do presente, a trave que me sustenta, o corretor que coloca tudo em seu devido lugar, me foi dada de graca pela sensibilidade de uma crianca. Sem eu pedir. Meu filho apenas me deu a chave que os adultos nao conseguem usar, nem eu. Mas tento, juro. Durante um banho fraterno, debaixo da agua morna, com todo o amor puro que um pai e um filho podem trocar, ele me disse assim: "pai, pensa bem, todo dia e' hoje. Nao tem amanha, pois quando chegar amanha voce vai me dizer que e' hoje. Entao nao existe amanha. Todo dia e' hoje." Obvio, simples, direto, curto, sem firulas. "Todo dia e' hoje" e' a frase mais inteligente que ouvi em toda a minha vida. Ele sacou tudo sem precisar ler O Poder do Agora, que custei a deglutir meses depois. Tomara que a sociedade nao interfira na consciencia dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato e' que cheguei em La Jolla e tomei uma cerveja para curar a ressaca da noite anterior. Cheia de pedras e pequenos penhascos, La Jolla e' um convite para aqueles que querem ficar em silencio ao som do mar e apenas olhar quao longe e' o horizonte. O dia foi lindo. Encontrei a minha rocha e sentei. Fiquei pensando que chegaria na Asia se pulasse ali e saisse nadando ate' a outra margem do oceano. Puxa, os primeiros navegadores realmente eram destemidos. Cair no mar so' pra ver onde vai dar exige uma capacidade de despreendimento de poucos. Tao assustador como entrar numa nave apontada para qualquer constelacao acima das minhas orelhas e partir. Acho que eu partiria. Se extra-terrestres me fizessem o convite, acho que Vitor e Dante entenderiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as gaivotas? Como e' possivel fazer voos baixos como aqueles? Rentes `a superficie. Alias, como e' possivel voar??? Voar e' do caralho. Os seres vivos que voam sao melhores que os outros. Estao acima da media. Sao incomparaveis, porque eles sempre -EM QUALQUER SITUACAO, SOB QUALQUER ARGUMENTO - poderao dizer: "ah, mas eu posso voar". "Eu posso voar" acaba com qualquer conversa. E ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma que o brilho do sol criou, sobre a agua do mar, uma trilha de cacos de espelhos refletindo bem na minha direcao. E eu pensei "como alguma magoa existe em mim se o que esta' sendo oferecido `a mim e' divino?" "como eu posso querer fazer algum plano para o futuro se este instante e' unico, irreversivel e so' meu?" Lembrei que vinte anos atras a vida dobrou uma esquina sem a minha consulta ou permissao. E passou tao rapido... Tentei me imaginar vinte anos adiante lembrando da tarde em La Jolla. A existencia e' grande demais para evitar o presente. Nao ha' nada antes nem depois. Todo dia e' hoje. Todo dia e' hoje. Puta que pariu, todo dia e' hoje! Os pelos dos meus bracos se arrepiaram. Eu nao estava sozinho. Alguem de outro plano me tocou a medula e me abencoou. Eu nao estava sozinho. Outras poucas pessoas deste plano encontraram outras pedras e estavam ali tambem. Uma abriu um livro. Outro molhou os pes na agua. Outros conversavam na areia. Criancas corriam livres por entre os penhascos. Um casal de velhinhos permancia de maos dadas, sem dizer nada. Dois amigos da terceira idade sentaram num dos bancos com vista pro mar, sem dizer nada. Nessas horas ninguem diz nada porque nao ha' nada a dizer. O que ha' 'e compartilhar. Tem muita gente feliz sozinho, mas uma frase do filme Into the Wild me veio `a mente: "a felicidade so' e' quando compartilhada". Um desafio aos solitarios felizes, como o proprio autor da frase, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora nao conseguisse partir, mas satisfeito com o meu instante, levantei e parti. Cai' na estrada de novo de volta pra casa. O sol ainda estava la', tinha mais a oferecer. Os instantes conspiraram a meu favor. Cinco minutos de direcao tornaram-me sonolento. Briguei com as palpebras. Consegui ler a placa indicando a praia da pequena Encinitas e resolvi parar. Nunca estive la' antes. E me deixei guiar. Direita, esquerda, reto, aqui sim, aqui nao, cheguei numa rua sem saida, que terminava numa especie de drive-in, onde o telao era... o mar!!!! O mar imenso. O sol cozinhando os tons amarelos, indicando o por. Deitei o banco do carro e dormi. Quando acordei, o ceu estava numa variacao de cores que so' Salvador Dali. Novamente silencio, exceto o som do mar. Levantei, olhei para os lados, alguns motoristas perdidos como eu, olhando exatamente a mesma coisa que eu, olhos fixos no horizonte como eu, pensando naquele exato instante como eu. Um senhor, sentado no capo do seu carro, bem devagar virou a cabeca pra mim e fez aquela expressao com a face do tipo "puxa... o que e' isso que estamos vendo". Me senti como um dos unicos seres humanos presenciando algo completamente extraordinario. Se eramos os unicos, nao sei. Mas definitivamente era extraordinario. Olhei la' pra baixo e vi algumas pessoas paradas, em pe', tambem olhando aquele sol caindo, aquele horizonte linear, e especialmente aquele ceu pluri-tons invadindo o continente. Lembrei de outro filme, Cidade dos Anjos, da cena em que os anjos se reunem na praia para contemplar o por-do-sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que a Terra se virou a ponto de nao vermos mais a bola de fogo, um a um foi partindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois de ter tido aquela conversa com o Vitor no chuveiro, ensinei para os meninos uma cancao de ninar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo dia e' hoje&lt;br /&gt;Eu quero paz, voce nao ve?&lt;br /&gt;Eu trouxe um presente&lt;br /&gt;Especialmente pra voce&lt;br /&gt;Tem bala, livro, video,&lt;br /&gt;Muita coisa pra brincar&lt;br /&gt;Entao fique contente,&lt;br /&gt;O meu amigo vai falar&lt;br /&gt;Mamae te dou um beijo&lt;br /&gt;Meu papai, um abracao&lt;br /&gt;Todos de maos dadas&lt;br /&gt;Esta' valendo a reuniao&lt;br /&gt;O Vitor e o Dante&lt;br /&gt;E quem mais puder chegar&lt;br /&gt;Ganha quem primeiro o meu amigo revelar&lt;br /&gt;Esta' dentro de mim&lt;br /&gt;E nos seus olhos posso ver&lt;br /&gt;Entao fique contente,&lt;br /&gt;Esta' quente, pode crer&lt;br /&gt;Mas isso tanto faz&lt;br /&gt;Logo mais vira' o sol&lt;br /&gt;Todos de maos dadas&lt;br /&gt;Tem anjinhos ao redor&lt;br /&gt;Mamae te dou um beijo&lt;br /&gt;Meu papai, um abracao&lt;br /&gt;Todos de maos dadas&lt;br /&gt;Esta' valendo a reuniao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-1606750738812441792?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/1606750738812441792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=1606750738812441792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/1606750738812441792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/1606750738812441792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/11/todo-dia-e-hoje.html' title='Todo dia e&apos; hoje'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3389832927900887059</id><published>2007-11-25T17:52:00.000-08:00</published><updated>2007-11-25T18:49:36.547-08:00</updated><title type='text'>Violencia dos anjos</title><content type='html'>- Ei, me paga um prato de comida?&lt;br /&gt;- Esta com fome e sem dinheiro?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- E por que?&lt;br /&gt;- Porque estou desempregado.&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Porque nao tem emprego.&lt;br /&gt;- Entendo. Ok, entra ai' que eu pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao consigo negar um prato de comida. O cara te pede um prato de comida, nao da' pra negar, qualquer que seja a origem do sujeito. A violencia angelena faz muitos sem-teto. A cada esquina, a cada ponto de onibus ha' um americano abandonado. Muitos estao na rua por opcao mesmo, pois para eles a menor contribuicao do governo ja' basta para a sobrevivencia. Alguns sao originais e vao direto ao ponto: encontrei um que escreveu num papelao "pra que mentir? quero beber cerveja". Ta' ai' alguem pra virar a noite tomando cerveja. O que me pediu comida era um tipico red-neck: pescoco avermelhado, bigodao, camisa por dentro da calca, botas - dificil encontrar um americano do interior sujeitando-se a tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse era um dia que queria apenas ficar tranquilo, sem nada pra pensar. Foi um dos mais felizes da minha vida: naquela noite vi um show do Van Halen, com 30 dolares de cerveja na corrente sanguinea. Que oportunidade eu tive. Ali lembrei de tanta gente, senti falta de tanta coisa, me isolei outra vez com tamanha vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai' do ginasio misturado na multidao. Leve. Realmente feliz. Caminhei pelo centro de Los Angeles ate' o metro mais proximo. A estacao estava cheia. Chegou o trem, entrei, me agachei diante da porta do vagao. Na parada seguinte, bem na parada seguinte, uma mulher entrou com uma bicicleta e bloqueou qualquer passagem minha. Tudo bem, eu nao precisava descer nem sair dali. O metro, naquela hora da noite e naquela regiao, so e' frequentado por negros e latinos. Brancos quase nao usam metro: vao de carro. E' a face mais escancarada da diferenca de classe da sociedade. O condutor deu sinal de partida, a mulher da bicicleta falou alguma coisa comigo, mas eu nao consigo entender a lista de girias e o jeito de falar dos negros angelenos. Coisa de gangue. O namorado dela apareceu. A cara do Mike Tyson. Nao abri a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as portas estavam se fechando, ele as impediu. Queria que a namorada saisse. Ela nao saiu. E ficaram la', ele ordenando, segurando as portas e ela negando. Mesmo com os chamados insistentes do condutor, atraves do sistema de radio e cameras internas, ele nao deu a minima. Por instinto, apontei meus olhos para todas as direcoes possiveis, procurando identificar como sair dali em caso de sangue quente. Nao tinha como. O namorado nao perdeu a paciencia. Quem perdeu foi um sujeito tipico de gangue de latinos que estava sentado na outra ponta do vagao. Ele veio andando a passos largos em nossa (eu e o casal de namorados) direcao. Enfiou a mao na mochila, sugerindo que estivesse prestes a sacar uma arma. Pensei de novo: pra onde vou correr? Eu estava sem saida. Alguem pediu calma ao latino: porra, nao faca isso. Ele entrou no bate-boca com o cara, exigindo que liberasse as portas. O cara nao cedeu e o chamou pra briga la' fora, impedindo que o trem partirsse. Parecia que ia piorar, mas a namorada teve a brilhante ideia de sair. Pronto, resolvido o problema. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relaxei de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3389832927900887059?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3389832927900887059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3389832927900887059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3389832927900887059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3389832927900887059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/11/violencia-dos-anjos.html' title='Violencia dos anjos'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-6088582509326417756</id><published>2007-11-20T10:05:00.000-08:00</published><updated>2007-11-20T10:59:43.860-08:00</updated><title type='text'>Santos e Pecadores</title><content type='html'>- Hey Daniel, vamos fechar o restaurante tarde hoje e eu não estou com a menor vontade de dirigir até Orange County. E o pior é que eu abro o restaurante amanhã cedo. Dá pra dormir lá na sua casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beleza, cara, sem problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cool, a gente compra umas cervejas e vamos pra lá então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel é um venezuelano bacana, que aprendeu a cozinhar feijoada e cortar churrasco muito bem. Fala inglês e português fluentemente. É bom de papo. A nossa conversa já havia caído na política social de São Paulo e Caracas, na sociedade americana, nas canetadas de Chavez, nos discursos de Lula, quando a placa de open virou para close. Fechei rápido o caixa, ele limpou rápido as tábuas de cortar carne, pegamos nossa gorjeta e saímos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebemos todas assistindo ao documentário Favela Rising, que ele havia acabado de ganhar não sei de quem e queria me mostrar. Conta a história do grupo carioca Afro-Reggae. Queimamos as últimas pontas também, já putos com as falhas sociais dos nossos países. Muita miséria. Muita violência. Muita coisa errada e bla bla bla. Percebemos a tensão e mudamos o rumo da prosa pra melhorar a energia. "Cara, vamos apenas curtir essa merda!". Não deu outra. Já era meia-noite, eu pensava seriamente em dormir, quando Daniel recebe um telefonema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde? Double S? Saints and Sinners? Beleza, disse ao celular.&lt;br /&gt;- E aí Gui, vamo lá?, disse à mim.&lt;br /&gt;- Agora, disse à ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo estava bem. Os venezuelanos me pagaram uma rodada de cerveja e outra de tequila. curtíamos a música, o show pirotécnico das duas bartenders mais lindas da Venice Blvd. Mas alguém me segurou pelos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- You! Get tha fuck outta here right now!!! Sai daqui agora!!, era o segurança, daqueles com as orelhas cobertas de piercings e tatuagem até o pescoço.&lt;br /&gt;- What? What happened? What tha fuck is going on? O que foi cara?, era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nem me respondeu. Simplesmente me colocou pra fora. Lá fora resolveu me dizer algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você vomitou no meu camarada?&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Não minta pra mim, seu filho da puta!!&lt;br /&gt;- Porra, eu não estou mentindo porra nenhuma! Não tenho a menor idéia do que você está falando! Você pegou o cara errado!&lt;br /&gt;- Vomitou sim!&lt;br /&gt;- Eu não vomitei, caralho! Não vomitei nem em mim, nem no banheiro, nem em ninguém! Você está entendendo o que estou dizendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os venezuelanos saíram pra ver o que estava acontecendo. Eles conhecem bem os seguranças. O cara contou a mesma história, mas mudou de idéia e teve a brilhante idéia de chamar a "vítima". Enquanto isso a turma dos pitboys americanos já havia percebido a movimentação e só estava esperando a primeira faísca pra cair na porrada. De rabo de olho, eu identifiquei pelo menos três planos de fuga, caso não fosse possível sair da pancadaria. Quero dizer, se não fosse possível sair da pancadaria, eu não fugiria de qualquer maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a vítima. Era um maluco qualquer da turma dos cubanos. Ele olhou bem pra minha cara e... "Nah, não é esse."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que era tenso virou ternura. Como num botão on-off, tudo se transformou numa camaradagem incrível: abraços, pedidos de desculpas, apresentações de amigos e amigas. Cubanos, venezuelanos, americanos e seguranças confraternizaram-se comigo e me colocaram pra dentre da boate outra vez. Eu virei popular. Os cubanos me pagaram duas rodadas de cerveja. Os venezuelanos, mais outra. Ganhei a proteção dos pitboys americanos quando eles descobriram que eu era brasileiro. Pensei "de quem esses caras são fãs, agora? Pelé... não. Ronaldinho... talvez. Romário... pode ser. Carmem Miranda... não, difícil. Roberto Carlos... Nelson Ned... não, esses são ídolos dos mexicanos..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara! Você é brasileiro! Nossa, eu conheço vários Gracies!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, evidentemente ele lutava jiu-jitsu. Voltando à música, cada pitboy que passava por mim era um tapinha nas costas. "Whassup man!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei tão em casa que não aconteceu absolutamente nada quando, por engano, diga-se, entrei no banheiro das mulheres. Eu precisava jogar fora toda aquela cerveja, pelas vias normais, é verdade. E com urgência. Não prestei atenção nas portas. Eu já me recolhia, fechando o zíper, me viro e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;- Opa, o que VOCÊ está fazendo aqui atrás de mim?&lt;br /&gt;- Ué, aqui é o banheiro das mulheres!&lt;br /&gt;- Não! Não? É? Vamos ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puuuutz, me desculpa! Sério! Nem tinha visto! Foi mal.&lt;br /&gt;- Tá, tá, tá, tudo bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-6088582509326417756?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/6088582509326417756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=6088582509326417756' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6088582509326417756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6088582509326417756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/11/santos-e-pecadores.html' title='Santos e Pecadores'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3284435007600014950</id><published>2007-11-10T11:46:00.000-08:00</published><updated>2007-11-10T12:40:34.331-08:00</updated><title type='text'>Reencontrei Juan</title><content type='html'>Reencontrei Juan. Semanas antes de comprar meu carro, esse cara foi a luz no fim do tunel que eu precisava. Naquela noite, eu havia fechado o restaurante e nao consegui pegar o onibus que me levaria ate' em casa. Essa mesma linha, depois da meia-noite, encerra num terminal na metade do caminho. Nao tinha opcao, apostei nessa ideia na esperanca de que alguma solucao - tipo uma linha extra, ou um ponto de taxi disponivel - pudesse estar la'. Nao estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O onibus estacionou, eu desci com a mochila nas costas (era o unico passageiro), o motorista apagou as luzes da conducao e foi embora. O terminal de onibus estava completamente vazio e quieto. Tao silencioso que podia ouvir casais de grilos discutindo a relacao. Nada. Ninguem para que ao menos eu pudesse perguntar "voce tem ideia do que eu faco agora?". Ao meu redor, um patio levemente iluminado. E eu nao tenho celular. Pensei em usar um telefone publico, mas nao encontrei. Mesmo se encontrasse, nao adiataria grande coisa, uma vez que eu estava sem moedas nem cartoes pra completar a ligacao. Enfim, situacoes estranhas em que a gente se mete vez ou outra e nao entende o por que, apenas respira fundo e se pergunta "que porra eu to fazendo aqui mesmo?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao me desesperei. Sai do terminal, caminhando pelas ruas. O que tambem nao e' grande negocio na California, uma vez que as pessoas nao tem o habito de andar pelas ruas, ainda mais durante a madrugada. Nao passava taxi algum nem qualquer carro. Mas a lua estava la'. Cheia, solida. Logo num dos primeiros cruzamentos eu senti um alivio, uma possibilidade de conseguir voltar pra casa. Vi uma loja de bebidas aberta, luzes acesas e aquele neon piscando (ou falhando) "open", "open", "open".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acelerei o passo, alcancei, entrei e... "oi, alguem ai'?" Num primeiro momento, nao ouvi resposta alguma. Perguntei de novo. Juan apareceu. Gordo, bracos cobertos de tatuagens, cabelos compridos, camiseta preta. Roqueiro nato. Calmo, fala mansa, simpatico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hey, posso ajudar?"&lt;br /&gt;"Espero que sim, perdi meu onibus e preciso pegar um taxi pra voltar pra casa. Voce tem algum telefone que eu possa usar e alguma companhia que eu possa chamar?"&lt;br /&gt;"Yeah, espera um pouco"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan voltou para tras do balcao, pegou o telefone e discou. "Fala cara, tudo bem? Manda um carro pra ca, beleza?" Colocou o telefone no gancho e virou pra mim. "O carro ja' ta' chegando. 15 minutos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei com aquela cara de interrogacao. "Who the hell is he calling?" Decidi logo quebrar qualquer tentativa de gelar o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bom, meu nome e' Guilherme"&lt;br /&gt;"Legal, o meu e' Juan, tudo bem?"&lt;br /&gt;"Certo. Juan, alem das bebidas, tem algo pra comer aqui?"&lt;br /&gt;"Ali"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me apontou para o balcao de comidas mexicas e demais tranqueiras junkies. Peguei um burrito e uma garrafa de cerveja. Entre uma mordida e outra, entre uma golada e outra, fui contando pra ele que precisava comprar um carro, que estava afins de arrumar um trampo em LA e bla bla bla. Ele me disse que era californiano, filho de pais latinos. Nao pude esticar a entrevista: o carro chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Falou cara, boa sorte"&lt;br /&gt;"Obrigado, Juan, ate' mais"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite seguinte me vi na mesma situacao, sabendo agora onde encontrar refugio. Entrei na loja de bebidas e Juan ja foi pegando o telefone, rindo. "Hey, manda um carro pra ca' de novo". Nao estava com fome, mas estava com uma puta sede. Comprei uma cerveja. Como eu era o unico cliente daquela madrugada, sentamos na calcada pra bater papo. Juan nao esperava que eu fosse brasileiro. Achava que eu era europeu (engracado, outras pessoas tambem me disseram isso). E como evidentemente falavamos de rock n roll, ele ficou mais feliz ainda ao descobrir minha nacionalidade. Era fa de Sepultura. Ai' a conversa rolou para pura diversao e aquele festival de "yeaahh" "puutaaa que pariu!" "do caralhooo!". Eu disse a ele que vi o ultimo show do Sepultura no Olimpia, em Sao Paulo, ainda com Max Cavalera nos vocais. Mas Juan veio com uma historia muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pegou um show do Sepultura em LA. Agora nao me recordo onde. Acabou ficando para o after-party e encontrou todos os caras da banda. Bebeu todas e fumou todos com Max.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cara, aquela noite foi foda..."&lt;br /&gt;"E', imagino..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O taxi chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Valeu, brother, se precisar, aparece ai'"&lt;br /&gt;"Nossa, fechado cara!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu comprei o carro e nunca mais havia voltado. Alias, na noite em que bati o hondinha, eu planejei passar por la' pra reve-lo, comprar uma caixa de cerveja e mostrar a caranga. Nao o fiz. Por algum motivo eu passei direto. E quadras a frente trombei com uma SUV novinha... nao, nao quero falar disso de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dizia que reencontrei Juan. Noite dessas finalmente parei por la'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E ai' cara! Sumiu. Quer um taxi?"&lt;br /&gt;"Nao, valeu. Hoje vim de carro. Passei aqui pra te cumprimentar e comprar minha caixinha de cerveja"&lt;br /&gt;"Comprou um carro?"&lt;br /&gt;"Comprei"&lt;br /&gt;"Bom?"&lt;br /&gt;"A piece of shit"&lt;br /&gt;"Piece of shit? Hahaha, legal"&lt;br /&gt;"Honda 91. Mas e' o que esta' me salvando ne', me levando para os lugares"&lt;br /&gt;"Ta' certo. E o rock?"&lt;br /&gt;"Vi algumas coisas, comprado CDs. Fui no Foo Fighters e os caras fizeram uma jam com o Lemmy. Genial?"&lt;br /&gt;"Lemmy tava la'? Que maravilha"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram alguns clientes, ele precisava trabalhar. Paguei minha caixa de cerveja e sai'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Falou, cara, aparece ai'"&lt;br /&gt;"Beleza, Juan, ate' mais!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan e' um cara legal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3284435007600014950?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3284435007600014950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3284435007600014950' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3284435007600014950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3284435007600014950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/11/reencontrei-juan.html' title='Reencontrei Juan'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-1329169495795259987</id><published>2007-10-31T09:57:00.000-07:00</published><updated>2007-10-31T11:33:57.909-07:00</updated><title type='text'>Mercadão no fnal de semana</title><content type='html'>Não notei quando as duas entraram na fila. Baixinhas, morenas, latinas. Sem nenhum diferencial. Ao chegar pra pesar o prato "Oi, como vão as duas, tudo bem?" "Tudo bem, obrigada", fazendo eco. Acharam graça das bugigangas de halloween que já decoram o restaurante. Pesei, disse o preço. E uma delas "e você, quanto custa?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais esperaria uma pergunta dessas. Aliás, nunca ouvi uma dessas. Bom, na verdade, sim, okay, parecido com isso. Mas não assim, nesses termos, direto ao assunto, sem firulas, sem meias-palavras, um cruzado de direita na ponta do queixo. Já havia recebido ofertas pelos churrasqueiros: quanto vale um pedaço daquele? posso levar este pra casa? A anestesia travou qualquer boa resposta minha. Simplesmente não falei nada, quando poderia ter falado tudo. Cinco segundos calados foram demais para elas. O suficiente apenas para um "tchauzinho!" e oferecerem-me as costas. Enfim, elas saindo eram melhores do que chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacanearam a velhinha, só pode ser. Uma dessas turistas envolvidas com pacotes de viagem para a terceira idade. Parênteses: o nosso ponto no mercadão é definitivamente uma referência turística dentro do Farmer´s Market. Gerações inteiras de japoneses passam por lá e tiram fotos da gente – muito embora japoneses tiram fotos de qualquer coisa –, fazendo-me sentir um animal exótico assando animais em extinção. Escandinavos e russos chovem aos montes, sem economizar nos "oooohhh". Os americanos metidos a consumidores conscientes querem saber a diferença entre frango com alho e frango com bacon. Eu fico a um ponto de berrar "alho é o cheiro do rabo da sua mãe!" e "bacon é essa tirinha que você tem no meio das pernas!" Valho-me das teorias budistas e taoístas que aprendi. E tentam pronunciar os nomes das carnes em português. Já vendi picanja, picana, picanrra, franco com allrro, alacatra e até alcatraz. Sempre tem um termo novo. E não deixamos por menos: "aqui está sua picanja, senhor, bom proveito". Sem contar que na minha torre de comando me sinto num balcão de informações, pois a cada cinco minutos alguém passa por mim só pra perguntar onde é o banheiro, o caixa eletrônico, a padaria, a barraca de frutas, a comida chinesa, onde comprar jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim. A velhinha. Alguém deve ter ensinado a ela dois termos em português. Duas palavras amáveis, feitas uma para a outra. A senhora só queria ser simpática, como de fato o era. E então apareceu apenas para dizer "bucetinha e piroquinha!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito movimento à nossa porta. De repente, ouvimos alguém gritando lá no fundo. Gutural, raivoso, partindo de algum lugar de onde eu não consegui ver. O berro foi ganhando volume, sinal de que estava se aproximando. Era uma mulher, gorda, ágil, negra, cabelos bem curtos, usando sandálias, bermuda branca e camiseta azul marinho. Estava transtornada. Quando alcançou a área de alimentação em frente ao restaurante, começou a derrubar todas as mesas, assustando as pessoas na fila. Ninguém agiu com violência para detê-la. Atrás dela veio outra, esta normal, talvez ciente da situação. Com muita calma ela pronunciou algumas palavras e a louca cedeu, bufando, ofegante, porém diminuindo a respiração, hipnotizada pelo som da voz da mulher que lhe falava. Refeitas, as duas partiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior saco é ficar plantado em frente de casais brigando pra decidir quem paga a conta. O mercadão é sempre cheio, não dá pra ficar esperando pitis de esposas e cinco-minutos de maridos. Preciso puxar a fila. O chavão "não se mete a colher" não vale pra mim. Na totalidade das vezes eu interfiro com esta cara-de-pau que Deus me deu: "ei, vocês querem um dado pra decidir? vocês escolhem um número e eu jogo, okay?". Ou "espera aí, eu tenho um baralho novinho aqui, cada um escolhe uma carta, vai". A discussão acaba na hora, pois cai a ficha do ridículo da situação. Outras vezes eu simplesmente pego um dos cartões de crédito que jogam na minha frente – ou dele ou dela, tanto faz – e realizo a transação enquanto a festa de argumentos prossegue. "Pronto, está pago, assine aqui por favor". Encerrado o assunto. Eles que discutam depois a partilha dos bens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses não tive tempo de interferir. O piti falou mais alto que o cinco-minutos. Não lembro quem pagou a conta. Mas não esqueço quando ela largou o prato de comida na máquina de pesar, foi buscar um box-to-go, voltou, com a mão mesmo jogou toda a comida lá dentro, fez o mesmo com a comida dele, colocou numa sacola de plástico e "vamos agora!". Foi. Foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo à noite, já estava fechando o caixa, recolhendo todo o dinheiro, tirando todos os recibos, organizando toda a gorjeta. Louco pra beber cerveja, que evidentemente minutos mais tarde estariam vazando dos meus rins e enchendo a minha bexiga. Tomei um susto quando um estrondo seco saiu da churrasqueira dois passos atrás de mim. Um som como o de um saco de cimento caindo das alturas sobre um monte de areia. Buufffff!!!! Olhei pra trás e vi uma nuvem negra de poeira de carvão. O churrasqueiro cabaço tentou apagar a brasa de forma errada. Ele jogou um balde de gelo sobre o carvão aceso. Ele imaginou que o gelo derreteira e apagaria a brasa. A física moderna não permite tamanha cagada. A camada de gelo age como uma espécie de tampão, bloqueando todo o calor que existe ali, criando uma zona de pressão. O ar quente precisa fugir pra algum lugar. Como ele não tem força o suficiente para explodir a churrasqueira inteira, ele empurra a tampa gelada pra cima e gospe pra fora toda a poeira quente. Aprendi isso esses dias. Legal, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-1329169495795259987?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/1329169495795259987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=1329169495795259987' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/1329169495795259987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/1329169495795259987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/mercado-no-fnal-de-semana.html' title='Mercadão no fnal de semana'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-5384673292719798698</id><published>2007-10-26T09:50:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T10:56:10.015-07:00</updated><title type='text'>Sold out e sem ingresso</title><content type='html'>O show comecava `as 21h00. Os portoes abririam `as 20h00. Eu cheguei na porta do Music Box pra ver Foo Fighters `as 18h00. Sem ingresso, evidentemente. Estava certo que eu conseguiria um, mas esqueci que a casa tem capacidade para 1.5 mil pessoas, no maximo. O suficiente para esgotar a bilheteria em poucas horas, tratando-se da casa e da banda. Mal pisei na portaria principal e um seguranca de 2.85m esbaforiu na minha cara "sold out! go home, no tickets available! Give up!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao dei um passo pra frente nem pra tras nem pros lados. Fiquei inconformado com tamanha burrice minha. Ouvir aquilo foi mais que agua fria: foi chute de bico fino dois dedos abaixo do joelho. Sai' caminhando pela Hollywood Blvd, imaginando o que fazer. Andei apenas duas quadras. No segundo quarteirao percorrido, um pensamento me ocorreu. "Quer saber, vou voltar e ver o que acontece". Mas o lado direito do cerebro, mais conservador, retrucou rancorosamente. "Acontece o que? Acabou, acabou. Vai pra casa e chega de aventuras bestas". Joguei uma moeda pra cima e o lado esquerdo ganhou. Nao que eu precisasse do dado, pois o lado esquerdo tem minha predilecao sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei. Uma pequena fila se formava. Alguns zumbis circulavam aleatoriamente, como eu. Os mais ousados tentavam negociar ingressos na fila. Eu nao tive essa coragem. Mas tambem nao tive coragem de fazer nada alem de ficar plantado na esquina. Recorri ao meu anjo da guarda, meu mentor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Entao mentor, o que faco?"&lt;br /&gt;"Resista, fique ai'"&lt;br /&gt;"Aqui? Parado? Fazendo o que?"&lt;br /&gt;"Nada, catso. Fique ai' e confie na Providencia"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei. A maioria dos sem-ingresso foi embora assim que os portoes se abriram. Um cara passou por mim e disse "alguma coisa vai acontecer". E sumiu. Gostei do sinal divino. Comecou a esfriar. O ar gelado do outono angeleno arrepiou os pelos dos meus bracos. Recostei-me sob a marquise ao lado da porta principal, bem ao lado de outro cabeca-dura como eu. Um terceiro maniaco juntou-se a nos. Ficamos um olhando pra cara do outro, tipo "o que fazemos agora?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu 21h00, o show nao comecou. "Ah mentor, ta brincando comigo ne?". Puxamos assunto, falamos de musica, de Los Angeles. Sem querer iniciamos uma especie de fila dos sem-ingresso, pois outras pessoas estacionaram depois de nos. Um japones chegou dizendo "estou sentindo que algo vai acontecer". Fiquei intrigado e abri o jogo com meu mentor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mentor, me desculpe se for pedir muito. Mas faz uma conferencia ai' em cima com outros anjos da guarda. Inventem um plano. Iluminem a cabeca do gerente da merda desse lugar. Facam-no vender ingressos extra."&lt;br /&gt;"Calma, estamos fazendo o possivel. Aguente firme e nao saia dai'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30, nada. Minha ultima refeicao havia sido `as 14h00. Estava com fome. Pensei em comprar alguma coisa, mas nao arrisquei perder o lugar na fila dos desesperados. O show nao comecou. Bom sinal: enquanto o show nao comecar, fico aqui. Criei raizes. Ninguem mais entrou no Music Box. Quem tinha de entrar, ja' o havia feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E ai' mentor?"&lt;br /&gt;"Nao saia dai''"&lt;br /&gt;"Nao vou sair, pode deixar"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h00 nenhum sinal, exceto o fato de o show nao ter comecado. Ai' eu entendi que as entidades la' dos planos astrais estava segurando a banda, enquanto outra falange de anjos iluminava a cabeca do diretor. Ai' eu conclui: eu vou entrar nesse show!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que os ponteiros bateram 22h30 e nada! Nem show, nem ingresso, nem milagre, nem comida. Eu estava a um passo de me retirar, mas nao poderia trair meu mentor, jamais. Palavra pra mim vale muito. De repente, la' de dentro, saiu um gordinho com cara de manager, a julgar pelo jeito de andar, pela camisa polo e pelo jeito com o qual nos olhou. Quando nos alcancou, apontou para o carinha que estava ao meu lado e "you're the winner, get in!". O moleque nao acreditou, entrou correndo. Fiquei boquiaberto. Agora eu era o primeiro da fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mentor, por favor... me ajuda... me ajuda..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gordinho parou, deu meia volta e pra mim disse "voce, quer ver o show? 2o dolares e voce ta' dentro. Vai rapido!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Obrigado mentor!!!! Muito obrigado!!! Obrigado falangistas ai' em cima!!!! Muito obrigado"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei gargalhando. Inacreditavel. Nao acreditava no que acontecia. Emocionei-me. Foi demais. Me senti mais uma vez um privilegiado. Um abencoado. Um sortudo. Qualquer outro adjetivo. Comprei um copo de cerveja, entrei na pista. Alguem que estava na fila me encontrou, tao sorridente como eu. "Cara, voce acredita nisso? Conseguimos!!!" Deu cinco minutos e o show comecou. Um dos melhores da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-5384673292719798698?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/5384673292719798698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=5384673292719798698' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5384673292719798698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5384673292719798698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/sold-out-e-sem-ingresso.html' title='Sold out e sem ingresso'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-5951954955108946236</id><published>2007-10-23T19:56:00.000-07:00</published><updated>2007-10-23T20:24:01.571-07:00</updated><title type='text'>Dia de folga</title><content type='html'>Hoje era pra ser o meu dia de folga. Mas meu gerente ligou às 9h30 da manhã pedindo pra quebrar o galho lá no restaurante. A caixa do turno da manhã, a Daniela, teve um probleminha por lá e foi demitida. Bom, estou calejado. Mais uma vez eu segurando a onda de Daniela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia tranquilo no mercadão. Muito calor. Sul da Califórnia em chamas. Freeways em alerta. Ar tão seco que me deixou de lábios rachados. A manhã passou rápido, fechei o caixa com pouca gorjeta. Sem brigas desta vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almocei e dirigi em direção à Sunset Strip. Tomei uma cerveja gelada no Raibow e aproveitei para comprar ingressos para o show de sábado no Roxy. Finalmente conseguirei ver Donita Sparks. Mas o calor, a cerveja e a feijoada no estômago fizeram-me mole, devagar. Não tive coragem de encarar as artérias-à-beira-do-infarto da Santa Ana Freeway. Desviei meu caminho rumo ao Griffit Park. Sim, a melhor idéia que tive no dia: fugir para os bosques de Hollywood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo deixei para trás a loucura urbana, subindo as vias estreitas do parque. Parei numa das cabanas do lugar, comprei uma torta de maçã e café expresso duplo. Voltei para o carro e continuei subindo até onde o asfalto permitiu. Chegando lá, silêncio total. Apenas alguns visitantes à distância percorrendo algumas trilhas. Um carro ou outro chegando como eu. Barulhinhos de aves e esquilos pisando nas folhas ressecadas. Ruídos de avião bem ao fundo, só pra manter viva a noção de cidade grande. E o calor... Desci, fiquei descalço e andei até a primeira árvore que encontrei. Sentei, comi com calma a minha torta e apreciei o café com o devido respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal de esquilos desceu da árvore pra me observar. Devem ter sentido o cheiro da torta e vieram averiguar. Eu ofereci, mas eles não quiseram. Não sabem o que perderam. Saíram brincando pelos galhos dos pinheiros. Um deles assustou uma coruja, que foi obrigada a trocar de copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entardecia. Lembrei de uma garota que conheci pouco tempo atrás. A chamo de Sweet. Seria muito bom se ela estivesse aqui. Sobre a cama de folhas secas de outono e gravetos dos pinheiros angelenos, deitei e tirei um cochilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abrir os olhos, uma lua cheia nascia por trás das copas das árvores. Ali, bem na direção da minha vista. Grande. Leitosa. Ainda amarelada pelos raios do sol que mal havia se posto. Fiquei na mesmíssima posição só pra ver a lua mudar de lugar. Subir de um galho para o outro até ganhar o céu completamente. Quando ela atingiu o seu objetivo, aí sim eu fui embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-5951954955108946236?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/5951954955108946236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=5951954955108946236' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5951954955108946236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5951954955108946236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/dia-de-folga.html' title='Dia de folga'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-8288160153971285966</id><published>2007-10-21T19:31:00.000-07:00</published><updated>2007-10-21T20:24:16.071-07:00</updated><title type='text'>O que são problemas?</title><content type='html'>Fiz um negócio da China e cai num conto das Arábias, mas não vou ficar 1001 noites sem dormir (nossa, que piadinha ruim...). O Departamento de Trânsito da Califórnia ainda não liberou a documentação do meu carro porque a oficina autorizada do órgão notificou que o possante está soltando fumaça demais. Tem uma pecinha do motor que precisa ser trocada, mas parece que é uma parafuseta tão cara que não vale o preço do carro inteiro. Eu tenho 90 dias para resolver a situação, foi o que disseram. O que também não me impede de rodar por aí. Descobri a terrível verdade: eu e George W. Bush temos algo em comum, estamos ferindo o Protocolo de Kyoto. Toda essa constatação me fez muito mal, me carregou de energia negativa, me cercou de uma aura ruim e agora bati o carro. Nada grave, apenas um amassado na ponta dianteira direita. Inacreditável. Eu digo novamente: as coisas acontecem, de uma hora pra outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas primeiras horas os meus músculos travaram, fiquei com os ombros doendo de preocupação. Parei pra pensar, pensar, pensar. Caí numa situação e tenho de conviver com ela. Criei um problema, não tenho como evitá-lo. Às vezes temos a mania de evitar uma realidade na qual já estamos imersos. E isso só aumenta o problema. Ou melhor, o problema persiste. Ficamos mordendo o rabo sem sair do lugar. É impossível alterar a realidade. É preciso aceitá-la. O melhor da vida é aprender o que fazer com a realidade até que a solução venha à tona. Um passo para o lado e você já vê a realidade de outra maneira, então tudo muda. Tudo passa a fazer sentido. A solução, seja qual for, vai aparecer. É só uma questão de percepção. Quanto mais sentimos que podemos perceber determinada realidade de um modo diferente, mais a vida flui. Eu sei, não é nada fácil. Não tenho a receita pronta, mas indico os seguintes ingredientes: uma parte de auto-confiança e/ou fé na Providência Divina; uma boa dose de desprendimento; doses homeopáticas de paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava pensar, encontrar uma nova maneira de enxergar esta nova realidade. Lembrei do filósofo Vítor Sierra. Antes de alcançar a selva angelena, tomei com ele um último café da manhã na vida paulistana. Enquanto eu fechava a mala, ele me apareceu com um pequeno livro. Disse: "Leve esse livro com você". Seco. Direto. Uma única frase cercada de um discreto sorriso. Os seus olhos na verdade disseram: "Não se esqueça de mim. Talvez em algum momento esse livro te ajude." Com esse diálogo em mente, inconformado por ter batido, voltei pra casa e vasculhei a mala de viagem. Peguei o livreto, fui pra varanda do apartamento, sentei sob o sol. Fechei os olhos, meditei um pouco. Drenei dois copos de vinho tinto. E só então abri as primeiras páginas do "Meu Primeiro Livro de Piadas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui me divertindo com as piadinhas de louco. Um louco falou para outro louco. "Mandei uma carta pra mim mesmo". "Ah é? E o que ela dizia?". "Não sei, ainda não recebi". Dois loucos tomando banho no clube. "Duvido você subir nadando pela água até lá em cima no chuveiro". "Eu não. Aí você fecha a torneira e eu caio". Um louco fugiu do hospício, parou um táxi e perguntou ao motorista. "O senhor está livre?". "Sim, estou". "Então viva a liberdade!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí então um outro de mim sentou na minha frente, me olhou bem nos olhos e perguntou. "Qual o problema de ter um carro amassado, que solta fumacinha e não vale porra nenhuma?". Eu respondi: "Nenhum". E o outro de mim que estava me olhando ficou muito feliz, vocês tinham de ver. "Acertou!!! Não há problema algum em ter um carro amassado, que solta fumacinha e não vale porra nenhuma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué. O que eu vou fazer se comprei um carro parecido com um camelo? Vou me divertir com ele. Se o antigo dono não quiser a caranga de volta, vou afundar abraçado com o hondinha. Quero dizer, afundar coisa nenhuma, o hondinha vai comigo para o céu. Quero dizer, eu vou para o céu. Se o hondinha vai ou não, é problema dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-8288160153971285966?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/8288160153971285966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=8288160153971285966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8288160153971285966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8288160153971285966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/problemas.html' title='O que são problemas?'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3612935628857584068</id><published>2007-10-20T14:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-20T15:04:43.956-07:00</updated><title type='text'>Gorjeta vale mais que dinheiro (?)</title><content type='html'>Fechei mais um turno do caixa e saí para dividir as gorjetas em algum lugar mais reservado na praça de alimentação. Um funcionário da cozinha veio correndo atrás de mim. Depois outro. Notei que eles queriam mesmo me acompanhar. Como a gente chama os novatos lá no restaurante, antes eu era apenas um cabaço. Já haviam feito isso antes, mas, como agora eu perdi o cabaço, senti algo diferente. A idéia era realmente me "investigar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ei, por acaso vocês estão aqui pra me investigar?"&lt;br /&gt;"Não, é pra acompanhar, pra ver se tá tudo certinho, se a gorjeta está sendo dividida corretamente, entende?"&lt;br /&gt;"Como assim? Vou pegar o dinheiro da gorjeta pra mim?"&lt;br /&gt;"Não, não é isso... é só pra acompanhar..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo, contei até 1350 em dois segundos e me fiz de besta. "Tudo bem, vamos lá". Separei nota por nota, funcionário por funcionário, beeem devagar, só pra eles acompanharem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra cozinha com o dinheiro deles. Levei na brincadeira. "Aqui a parte de vocês. Mas está havendo a revolução da cozinha por acaso? Pressão total em cima dos caixas? Tá certo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora remoendo aquilo. Fui tratado como desonesto, injusto, capaz de roubar gorjetas por pessoas tão trabalhadoras quanto eu. Por pessoas que passam as mesmas dificuldades que as minhas. Por pessoas que lutam pelos seus míseros salários tanto quanto o meu. Pessoas, sempre as pessoas. Dinheiro, sempre o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu não aceito trabalhar assim, dia seguinte fui direto para o meu gerente. Logo cedo, bem após dizer bom dia. "Chefia, está acontendo isso..." E coloquei toda a situação. Ele tinha algumas opções pra me dar. Me ofereceu esta: "Vá contando e repartindo a gorjeta durante o expediente, aqui mesmo no caixa, depois só entregue a cada um. E se alguém reclamar, mande falar comigo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado observar o quanto os funcionários da cozinha ficaram ansiosos no final do turno. Pois eu não saí do meu lugar, fiquei contando tudo ali mesmo na minha sagrada estação de trabalho, na minha intocável torre de observação. Juntei a notas e fui entregando um a um. Muitas caras de desgosto fizeram-me saber. Uma delas arriscou abrir a boca: "Você não sabia que os caixas precisam estar acompanhado por alguém da cozinha?" "Não, não sabia. Nenhum superior meu me informou disso. Qualquer coisa, fale com o gerente. Boa tarde a todos, e até amanhã cedo". Parti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8h30, abri o restaurante com um cozinheiro, uma auxiliar e um lavador de pratos. Bati meu cartão, estacionado bem no centro da cozinha. Os três me cercaram, vieram falar comigo ao mesmo tempo. Eu outra vez me preparando para a batalha da argumentação. Eu outra vez trocando verbos com as pessoas. As pessoas. Bom, eu também sou uma pessoa. "Você não sabia que os caixas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Escutem bem o que vou dizer. Todos vocês escutem bem. Eu não preciso ser investigado. Eu não preciso que nenhum de vocês nem ninguém duvide da minha honestidade. Eu não quero ser tratado como alguém que está roubando dólares de vocês. Eu sou um cara que se dá bem com toda a equipe da frente e da cozinha. Eu sou um dos poucos que entram aqui pra conversar com vocês. Eu trabalho muito como todos vocês. Eu não aceito ser desrespeitado porque eu respeito cada um aqui dentro. Eu sou pago tanto pra controlar o dinheiro do caixa como para repartir a gorjeta. É o meu trabalho, não o seu. Não me desrespeitem. Nunca mais. Jamais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três pares de olhos ficaram olhando pra mim em silêncio. Até que algum deles sentiu vontade de me pedir desculpas. Desculpas aceitas, sem problemas, claro. E não se falou mais nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passou tranquilo. Não tive como evitar a hora de fechar o caixa e as banditas gorjetas. Passar por aquilo tudo de novo, dialogar, conversar, bla bla bla... Mas uma idéia me ocorreu. Primeiro fechei os pagamentos do turno. Recolhi o dinheiro, as notas fiscais, os recibos, passei o bastão para o caixa responsável pelo turno posterior. Peguei a fortuna da gorjeta matinal. Deve ter dado uns cem dólares e poucos. Ou menos, talvez. Para ser repartido entre uns 12 funcionários. Enfiei tudo num saco de papel e entrei na cozinha, acompanhado do discurso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Olá. Aqui está todo o dinheiro da gorjeta. Agora vamos inverter. Um de vocês conta e eu investigo. Alguém aí conta e eu só acompanho. Quem quer pegar essa bolada aqui (erguendo o saco de papel)? Você? Não? Você? Não? Você? Não? Você? Não? Ninguém quer contar a gorjeta enquanto eu observo? Okay, então eu deixo todo o dinheiro aqui e vou almoçar tranquilo. Repartam sem ninguém observar, apenas entreguem a minha parte daqui a meia hora. Certo? Não também? Então eu vou dividir esse dinheiro e já volto com a parte de vocês."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém deu um passo porta afora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3612935628857584068?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3612935628857584068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3612935628857584068' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3612935628857584068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3612935628857584068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/gorjeta-vale-mais-que-dinheiro.html' title='Gorjeta vale mais que dinheiro (?)'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-8568157351136952939</id><published>2007-10-18T18:13:00.000-07:00</published><updated>2007-10-18T19:01:30.958-07:00</updated><title type='text'>William pensa demais</title><content type='html'>William caiu na estrada. Colocou seus oculos escuros e seguiu direto para a freeway. Travou o cinto de seguranca com a mao esquerda e empurrou Beatles adentro do CD player com a mao direita. Mal ajeitou os retrovisores. Aumentou o volume ao limite do insuportavel e foi direto para Getting Better. Ao primeiro acorde, cantou como quis. Dancou sentado ao volante. Abaixou o vidro, deixou o ar bater na cara, reverenciou o sol, curvou a fronte ao ceu. Admirou cada palmo de concreto dos contornos da cidade grande. Silenciou-se em respeito `as curvas das montanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have to admit, is getting better all the time. Getting so much better all the time. William sacou do bolso a foto dos seus filhos. Cheirou-os. Beijou-os. Falou com eles. William veio `as lagrimas all the time. Nao parou de cantar nem de pensar. William nao sabe porque se submete a tanto. William nao sabe de nada. Ainda assim ganhou um sorriso da garota que trafegava na mesma mao. Um aceno, uma buzinada. Ele canta, danca e chora. Vai devagar, nao liga para o comboio que o segue. Ele pertence a tudo e a lugar nenhum. Ele volta `a mesma musica quantas vezes forem necessarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William ri ao rever os arquivos de sua memoria. E tambem se diverte com as frases coladas nos carros da rodovia. Ele tem mania de ler placas de automovel e tentar decifra-las. William e' um cara que baba pelos Camaros. Ve um carro "just married" e acelera um pouco mais so' para ver o rosto das pessoas e pensa "hahaha, comecou o tormento de suas vidas". Sarcastico demais. Mas William se sente um idiota egoista e sabe muito bem que nao e' nada disso. Pede desculpas ao casal e deseja-lhes paz e tranquilidade. Repete o pedido, por via das duvidas... Nao quer ser punido pelo mal pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois William tem sido beneficiado pelos bons pensamentos e agradece do fundo do coracao a todas as pessoas. Ele nao para de pensar. Pensa em escrever tudo o que esta' pensando. So' que William pensa muito mais rapido que sua capacidade de escrever. Nem que tivesse um computador no colo 24 horas por dia, ainda assim conseguiria faze-lo. Ele flutua, mergulha num mundo que nem ele conhece. Pensa tanto que comeca a ficar agitado, tao agitado que precisa de um pouco mais. Sente uma vontade enorme de ficar bebado. William quer se desconectar, simplesmente nao quer fazer parte de nada, nao quer fazer parte de nada disso. Mas nao pode porque sente prazer em sentir seu organismo bem vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William usa Dead Kennedys como estimulante. Toma uma overdose de Let's Lynch the Landlord. Sim, vamos linchar todos eles! William quer acabar com essa palhacada. William vai ficando nervoso `a medida que pensa em linchar todos eles. William esta de saco cheio de tanta gente burra, de tanta gente preguicosa, de tanta gente que nao se da' ao trabalho de se servir. William se irrita consigo mesmo porque tambem sente que tem dificuldades de se enquadrar em alguma coisa ja' que ele pertence a tudo e a todos. William se irrita com a sociedade, se irrita pelo simples motivo de as pessoas pensarem tao diferente uma das outras e nao conseguem chegar a lugar nenhum. William ficou puto pra caralho com as pessoas que fazem perguntas cretinas e satisfazem-se com respostas estupidas. William descobre que nao adianta fugir, que sempre havera um tormento. William conhece a sua felicidade e por isso mesmo esta ciente da sua tristeza. Nao entende se isso e' bom ou ruim. William por algumas milhas nao queria ser assim. Ele queria simplesmente seguir adiante como faz a maioria. Mas ele e' tao idiota que tambem se aborrece com essa ideia porque simplesmente seguir adiante nao tem graca nenhuma. Ele chega a conclusao que vai passar o resto da fica pensando, admirando a vida, emputecendo-se com as pessoas, admirando as pessoas, calando-se e assalariando-se em busca de uma aposentadoria que garanta as barbas brancas de sua velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William sofre demais por pensar demais. E tambem suporta demais para seguir as regras. E William sempre acaba conhecendo pessoas interessantes, sempre se cerca de pessoas interessantes para salva-lo de qualquer encruzilhada. Ele dorme mal, acorda todas as madrugadas pensando exatamente do lugar onde parou de pensar antes de dormir. Ele fica pensando nas pessoas, faz preces para todas elas. E quando esta na estrada fica pensando nisso tambem. Uma cerveja antes do almoco e' muito bom pra ficar pensando melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ate' que William fica de saco cheio de tanto pensar. "William, pare de pensar e respire fundo", grita-se. William se acalma, volta `a vida. Ouve as batidas do seu coracao. Retoma os enquadramentos da janela, procura estacoes de radio. Ele vive `as custas de trilhas sonoras. Encontra um transito pesado e sabe que e' assim mesmo. Ele agradece pela cidade, pelas fachadas dos predios, por ser urbanoide viciado em cimento. Sabe tambem que nao consegue esquecer do ceu que o conforta. Sonha com o dia que possa fugir alguns dias nas montanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William se acalma e agora aposta no R&amp;amp;B de Ray Charles. Delicia-se com o piano de Ray, com as vozes de suas cantoras, num c^antico quase mantra. Saboreia cada segundo do seu dia. Tateia cada molecula do ar. Rastreia cada cheiro das fumacas automotoras. Mas Ray quis cantar Eleanor Rigby e tambem pergunta `a todos "oh, look at all that lonely people! Where do they all belong? Where do they all come from?". E William ve todos aqueles solitarios como ele ao seu redor no transito da cidade e todos aqueles sentimentos comecam a voltar a tona e lamenta-se por tantas pessoas e lembra da imbecilidade humana que ainda persiste e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega William! Desliga esse radio e desce desse carro agora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-8568157351136952939?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/8568157351136952939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=8568157351136952939' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8568157351136952939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8568157351136952939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/william-pensa-demais.html' title='William pensa demais'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-2211139746961667718</id><published>2007-10-13T18:49:00.000-07:00</published><updated>2007-10-14T18:56:47.279-07:00</updated><title type='text'>5DDJ841 California</title><content type='html'>Ahmed Assam nasceu na Síria e cresceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Veio para os Estados Unidos ainda novo, estudou engenharia eletrônica em Ohio, casou e teve a primeira filha. Mudou-se para New Jersey por uma boa oportunidade de emprego e abriu espaço para nascimento da segunda filha. Decepcionado com o frio-que-corta-os-lábios do nordeste americano, conseguiu uma transferência para a Califórnia, uma casa confortável em Orange County e passou a trabalhar mais para dar conta da chegada da terceira filha. E então resolveu vender o carro pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei o telefone de Sam num classificado de jornal. Ele foi o primeiro da lista que atendeu ao meu chamado. Só por esse motivo cortei todas as demais opções. Não gosto de muitas opções, elas só me complicam a vida, tiram meu sono, não permitem que eu faça escolha alguma. Pelo contrário, só prolongam qualquer decisão, se é que consigo tomá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oi, boa tarde. Li o seu anúncio no jornal e estou interessado. Ainda está vendendo o carro?"&lt;br /&gt;"Sim, estou."&lt;br /&gt;"Gostaria de dar uma olhada. Você pode me passar o seu endereço ou vamos marcar em algum lugar?"&lt;br /&gt;"Conhece o Starbucks na Harbor?"&lt;br /&gt;"Sim, conheço."&lt;br /&gt;"Okay, vamos marcar lá daqui a pouco, às 19h00?"&lt;br /&gt;"Fechado. Como é o seu nome?"&lt;br /&gt;"Sam"&lt;br /&gt;"Sam?"&lt;br /&gt;"Sim"&lt;br /&gt;"Ah tá. O meu é William"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou um pouquinho antes. Coisa de árabe. Bem, na verdade, eu que cheguei um poquinho depois. Coisa de brasileiro. Nos cumprimentamos, ele foi bastante cordial e direto. Acho que os árabes são assim sempre: mercadores, vão direto ao ponto, sabem falar e negociar. Ele vestia calças jeans, estava com o cabelo bem aparado e barba feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então, William. Esse é o carro. Está muito bem conservado. Milhagem razoável. Os quatro pneus são novos. Passou por uma revisão recentemente, posso te dar todas as notas fiscais do mecânico. Anda bem, agüenta a freeway. O único problema é esse amassadinho aqui atrás."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele disse tudo o que eu precisava ouvir, porque é tudo o que eu entendo de carro. Não me dei ao trabalho nem de abrir o capô. Mas fiz minha encenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Podemos dar uma volta?"&lt;br /&gt;"Sim, vamos lá"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viramos a primeira esquina. O pisca-alerta funcionou direitinho. "Mas diga, Sam, você mora por aqui?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, moro aqui perto. A minha mulher usava este carro. Mas queremos comprar outro mais novo e decidimos vendê-lo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei uma aceleradinha. O carro puxou, foi bem. Farol alto, okay. Lanternas de freio, também. "Sam, o carro anda bem na freeway?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, anda. Se você quiser, podemos pegar a freeway."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos. Entrei na freeway e puxei um pouco mais. Não puxou muito, mas andou bem. Testei os comandos dos vidros elétricos, sem problemas. "Sam, você está há muito tempo na Califórnia? Gosta daqui?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, é um excelente lugar para criar os filhos, tem muitas oportunidades. Por isso viemos pra cá. E o clima me agrada mais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei o ar-condicionado. Bem fraquinho. Funcionou. "E como era o clima lá nos Emirados Árabes?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquilo é quente demais. Sete, oito meses de verão, com temperaturas batendo fácil nos 50°C. Vinte anos atrás, não tinha nada. Mas o país se desenvolveu muito. Dubai virou um grande centro comercial e turístico. É um país islâmico que vive muito bem com as questões ocidentais. Você encontra um shopping center e, do outro lado da rua, uma mesquita. Sem problemas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei os sinais do painel. Todos na devida ordem. "Sam, tem muito brasileiro treinando times nos Emirados Árabes e a seleção nacional. Como está o futebol no Oriente Médio?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"William, nós amamos o futebol brasileiro. Sócrates, Zico e Falcão são os meus ídolos. Eles foram geniais. Dessa nova geração, gosto mesmo do Ronaldo Fenômeno. Ele sim foi genial quando estava no auge. O Gaúcho é um ator. Só fica na firula, fazendo embaixadas, ganhando dinheiro para o clube e os patrocinadores. Por isso o Brasil não ganhou a última copa do mundo. Muitas estrelas e nenhum time."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O câmbio automático trocou as marchas corretamente. No tempo e na ordem. "Poxa Sam, você acaba conhecendo sobre o Brasil só pelo futebol?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que nada. Outro dia eu estava estudando História com a minha filha. Aprendemos como a cana-de-açúcar foi importante na colonização do Brasil. Foi o grande produto de exploração por quase 2 séculos. Claro, muito às custas da escravatura."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa grande demonstração de conhecimentos gerais, retornei. Chegamos ao local de partida e me comportei como um árabe: cordial, mercador e direto ao assunto. "Sam, então, você pediu 2 mil. Pago 1.8 mil agora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não esperava um sim. Queria me fazer de difícil e ligar só no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Okay, William, fechado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como um bom árabe, mantive a palavra. Fechei o negócio. Peguei toda a documentação, entreguei o dinheiro e parti de carro novo. Entrei correndo em casa e fui direto pro chuveiro. Debaixo da ducha morna, chorei de medo e de alegria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-2211139746961667718?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/2211139746961667718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=2211139746961667718' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/2211139746961667718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/2211139746961667718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/5ddj841-california.html' title='5DDJ841 California'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3741718377168561797</id><published>2007-10-06T15:26:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T19:57:02.605-07:00</updated><title type='text'>Azuis x Vermelhas</title><content type='html'>Charles Bukowski tinha as corridas de cavalo aos sábados pela manhã. Era a sua maneira de se livrar de qualquer tédio. Eu não as tenho. E acordei com muita vontade de escrever, mas o texto ficou entalado bem atrás da minha orelha, não conseguiu fluir pelos meus dedos. Tentei, não deu, levantei e fui caminhar no parque. Saí de chinelo, meias e bermuda. O sol tirou o gelo dos meus pés e o céu (mais uma vez) me ofereceu algum conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma partida de futebol feminino infantil estava para começar ali no campinho. Ganhei o dia. Antes fui comprar um sanduíche na lanchonete mais próxima, uma brilhante invenção da culinária junkie: dois hamburguers, cheddar, fatias de baicon e creme de abacate. Sim, abacate. Eu comi hamburguer com abacate. Pedi pra viagem, comprei o jornal do dia e voltei ao parque. Me ajeitei na colina mais confortável e me aprontei para o espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As meninas de vermelho se aqueciam com bolas cor-de-rosa, prata ou roxa. As de azul tinham bolas azuis mesmo. Papais e mamães na beira do gramado, em cadeiras de praia e bebidas devidamente acomodadas em caixas com gelo. Os bebês rolando pelo gramado. Tudo bem americano. Enquanto as jogadoras faziam alguns movimentos inúteis, criados pelos treinadores nerds, fui engolindo o lanche. Bem gostoso. Peguei o jornal: Bush nega que CIA usa métodos de tortura. Ah, claro, não precisa nem dizer, todos sabemos da eficiência de Guantanamo e Abu Grabi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apita o árbitro, começa mais uma partida em Brea, Orange County. O técnico das vermelhas arma o time num esquema nunca visto antes: 3-7. Ou seja, três garotas plantadas na defesa e sete tresloucadas correndo pelo gramado. O time de azul é mais uniforme, tem dez na linha com permissão para subir ao ataque ou recuar para a defesa. Tanto faz, elas decidem. O ponto forte são as duas atacantes, Christie e Evelyn, donas de algum controle de bola. O ponto fraco é a goleira, Marty, que não deve medir mais de 90cm. À distância, parece uma Barbie perdida na grande área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos 10 primeiros minutos, o jogo fica amarrado, feio, a bola não sai do meio de campo. As meninas estão descontroladas. Parece um Corinthians e América de Natal pelo Brasileirão 2007. O técnica das vermelhas só grita "joga pro lado!" - o que não ajuda para o bom andamento do espetáculo. O time azul começa a se entender melhor e passa a distribuir melhor o jogo. Entre uma canelada e outra, a número 10 recebe a bola, corre, corre, chuta em diagonal, dá certo, a número 8 recebe, corre mais um pouco, corre, corre, corre e acaba o gramado. Ela esqueceu de fazer alguma coisa. A goleira do time vermelho, ruiva e com duas maria-chiquinhas, dá um saltinho de alegria. Ele sente que Christie e Evelyn darão trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova saída de bola. A ruivinha dá um chute de 5 metros, o suficiente para a bola sair da grande área. Uma das gordinhas da defesa alcança a pelota, já marcada por uma nuvem de garotas vestidas de azul. Do fumacê, a bola espirra em direção ao meio-campo, onde está uma das 7 atacantes. Ela recebe, joga pro lado, como manda o chefe, e acerta o passe para a japinha. Está armado o contra-ataque. Ela corre, escapa da primeira azulete, da segunda, lindo lance! Alcança a ponta da grande área, a pequena de azul treme as perninhas, ela prepara o chute e... pelo amor dos meus filhinhos! Se o gol fosse na bandeira de escanteio, seria um golaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christie e Evelyn conversam alguma coisa. Devem combinar alguma jogada. O jogo recomeça, com fortes emoções. Especialmente para os pais, que não aguentam mais tanta canelada nas suas crianças. A meio-campista de azul recebe a bola. Olha para o lado e encontra Christie. Christie domina, limpa a primeira, avança pela lateral e cruza na diagonal. Passe perfeito. A torcida elouquece! Evelyn ajeita com a perna esquerda, rola com a direita e chuta no canto. Goooooool!!!!!!!!! Sem chances para a ruivinha! Azuis 1 x Vermelhas 0.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O técnico das vermelhas solta mais alguns gritinhos. Ele já está ficando rouco. Ele pede pra camisa 7, que já tem até seios, recomeçar a partida. A japinha toca e ela dá um bico pra frente. A defesa de azul rebate, mas a sobra é da japinha. Ela agora atua pelo flanco direito e se dá bem. Ela avança, entra na grande área! O gol é imenso para a pequena Marty. A japinha respira fundo, mira e chuta forte! Marty incrivelmente salta como uma pulga e faz uma brilhante defesa! A torcida vibra! O que é um pontinho amarelo vestido de azul na grande área? É a Marty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marty vai repor o lance. Oh, não! Suas perninhas dobram diante de uma bola tão pesada e alguma tresloucada de vermelho se aproveita! Gooooooool!!!!!!!!!!!! Azuis 1 x Vermelhas 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Christie e Evelyn pegam a bola e levam-na à marca central. Mas o juiz não recomeça o jogo. Pelo contrário, ele pede um minutinho. Marty está ajoelhada na pequena na área, chorando com a cabeça entre as mãos, inconformada por ter levado um gol tão infantil. O técnico vai até lá, conversa com ela. Ela decide sair do jogo. Tira a camisa e corre para o colo da mãe. Tadinha da Marty, ela vai ficar melhor. Alguém ocupa a função de goleira do time azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apita o juiz. Esse são os melhores momentos do primeiro tempo, que acaba empatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitei na grama, comecei a tirar um cochilo. Fui acordado por gritos da torcida. Abri os olhos, apenas mais uma confusão no meio-campo. Ou seja, retomada a partida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A de vermelho ganha a bola e perde para a de azul. A de azul erra o chute e perde para a de vermelho. A de vermelho se confunde e perde para a outra de vermelho. A outra de vermelho joga para o lado e perde para a azul. A azul ganha da outra de azul e a bola vai para a lateral. O técnico do time azul anuncia uma substituição e quem volta? Marty! Ela mesma! Volta com a camisa 20, sedenta por vingança. Marty corre para o ataque, ninguém toca pra ela. Ela volta e pega a bola por conta própria e manda para o ataque. O ataque perde a bola e Marty volta para ajudar a zaga. Ela toma a bola da japinha de vermelho e deixa para Christie. Christie divide o lance com a de vermelho-que-já-tem-seios e corre em direção ao gol adversário! Ela entra na área, passa pela primeira zagueira e... penalty! Penalidade máxima! Marty dá 358 saltinhos de alegria! Christie e Evelyn se abraçam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evelyn, que fez o primeiro gol, assume a responsabilidade pela cobrança. Ela coloca a bola na marca, dá alguns passos para trás, se concentra, corre, chuta e na traaaaaaaaave!!!!!!!!!! A bola espirra por toda a linha do gol, passa por trás da ruivinha de maria-chiquinhas, as tresloucadas de vermelho avançam para o rebote! Nenhuma delas acerta! Sobra para Christie, que limpa o lace, divide com a zagueira central de vermelho, dá um chute mascado e... defende a ruivinha de maria-chiquinhas! Que partida emocionante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo ganha cadência. As duas equipes já se estudaram bem e fazem marcação menina a menina. A partida segue truncada, com poucas opções de gol. Marty entra numa dividida e sobe 1.5 metro de altura. Todos esperam a reação da comissão técnica, mas ela mesmo se levanta, tira a franja dos olhos, ajeita o rabo-de-cavalo e parte para outra. No lance de maior perigo, uma das sete tresloucadas ganha a grande área azul e a virada se faz clara. Mas a goleira de azul se atira nos pés da atacante para fazer uma linda defesa. Ela toma uma joelhada na maçã do rosto e o cronômetro é interrompido para a entrada do médico. Um jato d'água na cara e tudo ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está desenhado o empate, senhoras e senhores. Último minuto! A equipe vermelha, mesmo no campo de ataque, joga a bola para a lateral. Cobrança feita pela menina de azul, completamente errada. Sem noção mesmo. O juiz dá reversão. Cobrada a reversão, a tresloucada de vermelho consegue finalmente tocar para a outra tresloucada de vermelho, que corre reto em direção ao gol! Bobeira da zaga azul! A atacante de vermelho avança sozinha com domínio de bola, ajeita e goooooool!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Vira o jogo o time das meninas de vermelho! Para delírio do técnico nerd!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomeça o jogo, não dá tempo para mais nada. O juiz encerra a partida. Azuis 1 x Vermelhas 2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3741718377168561797?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3741718377168561797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3741718377168561797' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3741718377168561797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3741718377168561797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/azuis-x-vermelhas.html' title='Azuis x Vermelhas'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-4623184671737317496</id><published>2007-10-06T09:57:00.000-07:00</published><updated>2007-10-09T07:48:05.553-07:00</updated><title type='text'>Rabujento desvairio</title><content type='html'>Fui engolido pelo cotidiano. Além dizer "bom dia", eu perguntei ao motorista do ônibus até que horas ele trabalhou na noite anterior e quanto tempo ainda tinha de rua. Quando chega-se nesse ponto, de ficar amigo do condutor, significa que você está completamente envolvido pelo cotidiano. Eu não tenho mais de levar relógio comigo. Sei se estou atrasado, em tempo ou adiantado dependendo das pessoas que estão no ponto. "Ah, essa menina é das 7h30", "Beleza, esse senhor é o das 7h15, estou com o horário legal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso apenas não fazer rotina do cotidiano. Caso contrário os personagens começam a desaparecer bem na sua frente. Outro dia uma pessoa tocou a minha nuca com a ponta do dedo indicador no meio da multidão. Só ouvi a mulher baixinha me dizer: "você é um abençoado e Jesus te ama". Olhei para trás e respondi "que bom, amém, eu amo Jesus também". De qualquer forma, era a melhor (ou a única) coisa que poderia dizer. Numa situação dessas, não há como reagir de outra maneira. Eu fiquei de pé. Ela entrou, sentou e ficou me encarando fixamente. Disfarcei. De repente ela começou soltar frases numa língua qualquer. Muito estranho. Fosse aramaico ou a língua dos anjos, nunca saberia. Ela começou a incomodar outras pessoas, a benzer todos ao redor, uma verborragia panfletária religiosa. Ficou nervosa quando três adolescentes mandaram-na calar a boca e se foi. Estranho acontecer a cena porque tive muitos pesadelos de encontros desagradáveis durante a semana inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos entendem, mas confesso que gosto de ônibus e metrô. Trens são geniais. Aqui me sinto bem. É um refúgio que me aglutina na massa. Paradoxalmente há uma certa sensação de liberdade, pois sempre estou em movimento. É isso, o transporte público atua no gerúndio, eu vivo no gerúndio: estou indo, estou voltando, pensando, observando, dormindo, lendo, conversando, lembrando, sonhando, planejando, rindo, chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus tênis continuam sujos (muito carvão da churrasqueira flutuando e assentando no piso). A barra da calça, já rasgada de tanto caminhar. Mochila nas costas. Entre o punk e o Working Class Hero do John Lennon. Comprei o Los Angeles Times pra ler. Gosto do Los Angeles Times, sempre com reportagens muito boas, escritas por jornalistas que estiveram lá, sentiram o cheiro, tocaram com as mãos. As manchetes não são óbvias. LA Times dá uma coisa, NY Times dá outra, cada um por si. O mais interessante é que o primeiro caderno abre com as notícias do mundo: a crise em Darfur, a fome na Somália, a covardia contra os monges birmaneses, os governos europeus. Só depois seguem as notícias dos Estados Unidos, das disputas entre Hillary Clinton e Barack Obama à imbecilidade dos fanáticos religiosos do interior de Utah. Aí sim, os editoriais e os artigos de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário dos jornais brasileiros, cada vez mais chatos, sem reportagens e egocêntricos. Te forçam a ler editoriais em primeiro lugar. Então te oferecem textos plastificados. Mal o leitor teve tempo de pensar na sua própria opinião e é obrigado a ler editoriais em forma de estatuto. Isso também explica por que o brasileiro lê pouco. O sujeito chega cedo na banca, todas as capas são iguais, sem criatividade alguma, e certamente vai embora pra não perder tempo com lorotas. É melhor mesmo trabalhar e ganhar o dinheirinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais viraram a Contigo! do Congresso Nacional. Tiras em quadrinhos. Quantas vezes as Mônicas vão dar para os seus Cebolinhas. Folha: "Renan Calheiros blá blá blá". Estadão: "Renan Calheiros nhém nhém nhém". Foda-se!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eu quero que o Renan Calheiros vá para a puta que o pariu! Aliás, eu quero mais que o Congresso seja implodido e o Palácio do Planalto dominado pelo Movimento dos Sem-Teto. E que o Movimento dos Sem-Terra levante acampamento nos verdejantes gramados da Granja do Torto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humpf...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu virar de lado que tem mais sol nesta janela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-4623184671737317496?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/4623184671737317496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=4623184671737317496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4623184671737317496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4623184671737317496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/10/rabujento-desvairio.html' title='Rabujento desvairio'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-186956943160372484</id><published>2007-09-30T10:51:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T11:56:59.111-07:00</updated><title type='text'>Dois mendigos</title><content type='html'>Só tive tempo de encostar a cabeça no vidro e fechar os olhos. O cochilo que se desenhava foi interrompido por alguém que vociferava lá no fundo do vagão. Uma voz rouca, gutural, talvez de tanto dizer a mesma coisa, clamando por ajuda e comida. Olhei pra trás por cima do ombro direito. Vestia uma calça jeans clara e um camisa quase no mesmo tom. Pouco sujo. "Mais um", pensei. "Como mais um? Não pode haver 'mais um'!", retruquei-me. Respirei fundo. Lembrei que já o havia visto antes. Outro dia ele tinha ficado nervoso com uma mulher que duvidou que ele era realmente cego e não tinha condições de trabalhar pelo próprio sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ditar o discurso, veio um silêncio. Imaginei que tivesse partido e consegui concentrar-me nas minhas retinas. Tomei um susto quando ele retomou o texto inteiro bem na minha frente. Dentes tortos, expressão de tristeza. E ofereceu a poderosa voz para a plateia ora atenta, ora indiferente. E cansado de ouvir respostas duvidando de sua cegueira, tomou a atitude mais agressiva e inesperada de todas: com os dedos calejados da mão esquerda, abriu uma das pálpebras e arrancou o olho de vidro que lá se escondia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivesse eu tomado o café da manhã, vomitaria. Desta vez a pressa matinal me salvou. Fez o mesmo com a outra vista. Mas eu estava preparado e desviei o olhar. Alguém colocou em suas mãos um sanduíche. Não sei se por dó, talvez apenas na tentativa de fazê-lo parar com aquilo. Ele agradeceu e caminhou porta afora tão logo elas se abriram. A grande ironia ninguém notou. O faminto desceu bem na Washington Station. Abaixo da placa com o nome do primeiro e reverenciado presidente dos Estados Unidos, farejou seu pão e rasgou a embalagem como se fosse a última refeição da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tive tempo de encostar a cabeça no vidro e fechar os olhos. O cochilo que se desenhava foi interrompido por alguém que vociferava e se esforçava para jogar suas tralhas bem na minha frente. "Sim, existe mais um", pensei. "Sempre haverá mais um", entristeci-me. Na minha frente, outra vez na minha frente. Fim de tarde, por favor, cuide bem do seu discurso, pois desta vez estou com o estômago cheio. A voz também calejada segurou minha atenção. Ele não pediu dinheiro pra comer. Tudo o que ele queria era comprar um violão novo, já que o dele havia sido roubado madrugadas antes. E ele estava triste, pois a música era tudo pra ele. "Cantar é o que me mantém vivo, mas eu preciso do meu violão, por favor". Um nó pesado sufocou minha garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se equilibrou no trem em movimento. Tirou o boné, estendeu o braço diante de todos nós. Baixou a cabeça e, como Joe Cocker, começou a cantar os versos de John Lennon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imagine there's no heaven/It's easy if you try/No hell below us/Above us only sky", e os meus olhos ficaram arregalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imagine there's no countries/It isn't hard to do/Nothing to kill or die for/And no religion too" me fizeram encolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imagine all the people/Living life in peace/You may say, I'm a dreamer/But I'm not the only one" soaram-me como um tapa na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imagine no possessions/I wonder if you can/No need for greed or hunger/A brotherhood of man" acertaram-me a outra face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imagine all the people sharing all the world" invadiram-me a alma e jogaram-na contra a parede.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-186956943160372484?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/186956943160372484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=186956943160372484' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/186956943160372484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/186956943160372484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/dois-mendigos.html' title='Dois mendigos'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-4471789186861952164</id><published>2007-09-27T20:16:00.000-07:00</published><updated>2007-09-27T20:42:15.870-07:00</updated><title type='text'>O branco e o tombo</title><content type='html'>Quando as luzes se apagaram e abriram-se as cortinas, não havia palco algum. Apenas uma parede imensa e branca que deixou a platéia silenciosa. No muro antes escondido, o show de rock começou a ser exibido por um retroprojetor. Eu não entendi nada. Fiquei desconcertado. Mas a multidão de idosos – todos de branco, confortavelmente sentados em mesas brancas com toalhas brancas – prestaram muita atenção. Sempre em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí pela porta principal e fui tirar satisfações com o bilheteiro. "Paguei pra ver um show em retroprojetor?" O bilheteiro, na verdade, uma mulher, me recebeu numa mesa dessas de plástico. Disse que não poderia fazer nada por mim. Eu insisti, mas ela deu de ombros. Resolvi ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzei todo o estacionamento (não lembro de ter visto carros) e olhei para trás. Só então percebi que a casa parecia uma grande igreja, um enorme salão. Todo branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pisar do lado de fora dos portões, vi uma rua que subia para lugar algum. Tinha o asfalto desgastado, empoeirado, pedras soltas. Cruzei a via para o lado de lá. Alguns carros passaram por mim: me recordo de um Ford 1917 e de um corvette novinho em folha, conversível, guiado por uma mulher lindíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia sol. O céu estava limpo. Olhei o vazio da rua. De repente, dois garotos apareceram de bicicleta, descendo a toda velocidade. Do primeiro não guardei o rosto. Mas o segundo... esse me parecia familiar. E foi justo ele quem não aguentou o tranco da via esburacada e levou um belo tombo. Capotou, passou por cima da bicicleta. Caiu dentro de uma boca-de-lobo aberta exatamente aos meus pés. Ele sentia dores, deu impressão que seria levado pelo esgoto. Mas eu estava lá e agarrei sua mão direita. No primeiro momento, não consegui resgatá-lo. Gritei por ajuda e ninguém veio. Num suspiro de muita força, no entanto, puxei-o para a calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava ferido, mas também suas chagas não ficaram gravadas na minha mente. Pedi socorro outra vez: nada. Peguei-o no colo com os dois braços. Outros carros passaram por mim: ninguém parou. Mais um suspiro de força e subi toda a rua, acompanhado do outro garoto. Ao chegar lá em cima, encontrei uma passagem de acesso à avenida principal. Olhei para a via movimentada e não sabia o que fazer. Não tinha idéia de quem seriam os pais daquela criança. Nem telefones, nem contatos. Absolutamente nada. E a outra criança não abria a boca. Percebi então que eu teria de cuidar sozinho dos dois, de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, eu não dormi mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-4471789186861952164?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/4471789186861952164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=4471789186861952164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4471789186861952164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4471789186861952164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/o-branco-e-o-tombo.html' title='O branco e o tombo'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-8756503872504945090</id><published>2007-09-23T10:35:00.000-07:00</published><updated>2007-09-23T11:26:58.011-07:00</updated><title type='text'>Give peace a chance...</title><content type='html'>Ron, Tim e Jim empunhavam bandeiras contra a guerra do Iraque numa movimentada esquina de Los Angeles. Senhores de barbas grisalhas, dedicando seu tempo na frente de batalha da conscientizacao. Ron estava acompanhado de seu filho adolescente, Dan. Dan pendurou em seu pescoco um cartaz com os dizeres IMPEACH BUSH. Ron segurava a placa STOP THAT COWBOY. Tim veio de MAKE PEACE, NOT WAR. Jim apostou nas palavras TROOPS HOME NOW!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles tambem penduraram no poste faixas mostrando que civis iraquianos e afegaos estao sendo mortos aos milhares. Mais uma tentativa de expor a imbecilidade humana. "Matar uma pessoa e' assassinato. Matar milhares e' politica externa", irozinava o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o farol de pedestres abriu para mim e eu segui na direcao deles. Mas nao completei meu caminho. Larguei o jornal e meu suco de frutas debaixo de um arbusto. Simplesmente parei e "oi, posso me juntar a voces?". Quatro olhares supresos me investigaram ao mesmo tempo. O susto passou em tres segundos. "Brilhante! Claro! Escolha uma dessas placas", disse Jim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oi, eu sou Jim, este e' Tim, este e' Ron e este garoto aqui e' o Dan. Muito prazer te-lo aqui com a gente"&lt;br /&gt;"Oi, eu sou Guilherme, do Brasil, estou feliz por estar aqui com voces", e peguei a minha placa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo o que fiz foi ergue-la com o punho direito. E la' ficamos os cinco, direcionando nossas mensagens para todas as vias do cruzamento. Nao ficamos um minuto sequer sem a resposta do transito angeleno. Buzinas passavam desordenadas, como se comemorassem com a gente a conquista de um campeonato. Idosos discretamente abaixavam os vidros escurecidos dos seus carros para que vissemos os seus sinais de aprovacao. Jovens casais passavam gritando em nosso apoio. Ouvimos gritos de "e' isso ai'!" aos raivosos "kill that mutherfucker!!!". Motoristas de onibus passavam devagar buzinando, acenando, permitindo que os passageiros nos observassem e lessem as placas com atencao. Todos queriam nos mostrar a satisfacao da atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedestres nao deixaram por menos. Passavam bem ao nosso lado batendo palmas. "Eu apoio voces!". Queriam tambem estar ali. Alguns cruzavam a esquina para simplesmente dizer alguma coisa em nosso favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um "yeaahhh!" e outro "guys, you're great!", Jim e eu falamos de politica. Concordamos o quanto e' burra e mentirosa a invasao do Iraque. Tudo nao passa de petroleo e dinheiro. Quao penoso e' ver mulheres chorando seus mortos, criancas feridas na alma pelas bombas idiotas. Lembramos da farsa que foi a reeleicao de Bush. Discutimos sobre os sistemas da eleicao norte-americana: nao se vota diretamente no presidente, e' preciso votar num colegio eleitoral de funcionamento complexo que, ai' sim, dara' poderes a um so' homem. Jim gostaria de ver em seu pais um processo como o brasileiro, onde o eleitor escolhe diretamente os seus governantes. Jim perguntou de Lula. Conversamos da corrupcao, da ma' distribuicao de renda, dos problemas resultantes de um congresso nacional inchado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distribuimos panfletos. 1 milhao de iraquianos foram mortos. A administracao Bush ja gastou US$ 450 bilhoes em quatro anos e meio de guerra. Dos impostos pagos pelos contribuintes californianos, US$ 60 bilhoes financiam a guerra. Em contradicao, o Departamento de Saude Publica do Condado de Los Angeles tem orcamento menor que US$ 3 bilhoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o sol caiu, baixamos a guarda. Nos abracamos e tomei meu rumo. Ah, a minha placa? Dizia: A GUERRA CUSTA BILHOES. A PAZ NAO CUSTA NADA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-8756503872504945090?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/8756503872504945090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=8756503872504945090' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8756503872504945090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8756503872504945090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/give-peace-chance.html' title='Give peace a chance...'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-1562693164435533279</id><published>2007-09-22T17:37:00.000-07:00</published><updated>2007-09-22T18:12:17.293-07:00</updated><title type='text'>As rugas</title><content type='html'>A simpatica velhinha subiu no onibus com tanta dificuldade... Nada que as rugas pudessem esconder uma alegria de viver: peruca, boca bem contornada de batons vermelhos, brincos, bolsa. Um agasalho cor de rosa e calcados que nao notei. Muito diferente da outra que estava no ponto e, lacrimejando, lamentou-se comigo das dores nas ancas. Enfim, subiu e acomodou-se no lugar respeitosamente deixado por uma jovem. Sorriu, talvez tenha rido de si mesma, olhou para os lados, para as outras pessoas ao redor, por um segundo me olhou diretamente nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele instante congelou. De onde voce veio, minha senhora? Qual ventre te pariu? Ha' uma curiosidade em mim o tempo todo. Minha predilecao pelas minorias fazem-me questionar integralmente a origem das pessoas. A contagem regressiva da vida que nos direciona para alguma interseccao no tempo-espaco. E' engracado porque estamos sempre vindo de algum lugar. Nao me refiro ao divino, digo das ruas, das estradas, das maes e dos pais. Eu ocupo o mesmo metro quadrado que o sem-teto: alguem deve te-lo amamentado, criado-o, alimentado-o, jogado-o no asfalto algum dia. E no entanto eu vim de tao longe para ouvir dele um pedido de ajuda, um prato de comida, centavos, se possivel. Onde ele nasceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher robusta cruzou meu caminho por essas esquinas. Ela fedia urina. Olhei pra tras e vi as manchas em sua calca. Tal qual nas ruas paulistanas. Quais estradas conduziram-na ate aqui? O que ela fez de errado para merecer tao poucas e sujas roupas? Quais magoas levaram-na `a beira da loucura? Quais rasteiras derrubaram-na? E quais alegrias ja' viveu? De quantos amores desfrutou? Tudo isso eu sei de mim. E novamente olhares que brevemente se cruzam por cima dos ombros querem ouvir as respostas. Ha' um grito surdo/mudo de "hei, me responda!". Mas nos calamos. Armazenamos tudo na consciencia. Deixamos para outro dia ou esquecemos ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ha quem queira compartilhar. Ele chegou com dificuldades a mim. Passos curtos, buscando apoio do chao. Um bone' protegendo as vistas do sol e as lentes insuficientes para evitar as vistas cerradas. Por isso se aproximou ainda mais. Queria apenas mostrar com orgulho sua companheira sentada numa cadeira de rodas. "Oi, essa e' a minha namorada. Eu a amo ha' 69 anos e, desde aquele dia, vivemos juntos. E vou continuar amando." Ela simplesmente ergueu a cabeca em minha direcao, bem devagar, para me oferecer um sorriso. Depois foram embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-1562693164435533279?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/1562693164435533279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=1562693164435533279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/1562693164435533279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/1562693164435533279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/as-rugas.html' title='As rugas'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-2340133657116163402</id><published>2007-09-18T15:53:00.000-07:00</published><updated>2007-09-18T17:27:23.771-07:00</updated><title type='text'>12 horas</title><content type='html'>(10h00)&lt;br /&gt;Bom dia, pessoal. Todos bem? Ah, sim, legal. Estou bem tambem. Vamos la para mais um dia. Mais um dia ou menos um dia? Boa pergunta, te respondo mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrumar os copos, limpar o caixa, abrir o caixa, colocar dinheiro na gaveta. Me deixa ver... agua, falta agua. Vou la buscar entao. O que mais? Guardanapos ok, talheres pra viagem ok. Okay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(10h22)&lt;br /&gt;Hum, que vontade de um cafe expresso puro. Vou la comprar. `E rapido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(10h38)&lt;br /&gt;Ai ai... here we go again. La la la la...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caramba, meu tenis ta bem sujinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eita, acho que as minhas costas vao doer hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(11hoo)&lt;br /&gt;Cozinha, tudo pronto? Churras, tudo certo? Entao vamos abrir o restaurante. Bom trabalho a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que as gorjetas de hoje sejam boas. Queria muito pegar um showzinho semana que vem. Vai dar, certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gole d`agua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(11h33)&lt;br /&gt;Que catso, ninguem vem comer hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meu calcanhar ta doendo. Vou dar uma alongadinha. Movimentar os calcanhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa, eu dormiria um pouco mais hoje sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cacete, ate que enfim alguem com fome! Hi sir, may I help you? Como funciona comida por quilo? Assim: voce pega o seu prato, escolhe a sua salada, o seu prato quente bem ali, o churrasco, quanto quiser e eu peso aqui, conforme esta tabela. Sim, pode comer so salada. Claro, pode comer so carne tambem. Com certeza, pode misturar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, ai' esta o senhor. Vai pagar para os quatro? Sem problemas. (..."nao vou dar desconto nem fodendo, vai pagar a conta inteira"...). Okay, aqui esta' o seu troco. Obrigado e tenha um bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa! 14 dolares de gorjeta! O cara paga a conta inteira e ainda deixa 14 dolares de gorjeta! O veio ta' bem hein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala chefe, tudo bem? Sim. Estou ouvindo. Ja' encomendou? Certo. Qual o numero do cartao? Sim. Ta. Certinho. Legal. Bacana. Maravilha. 171 dolares? Nossa, ela vai dar uma festa? A-ha-ha. Vou imprimir o recibo e te mando. Fechado. Ate. Como? Deixou 20 dolares? E' hoje. Abraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(12h29)&lt;br /&gt;O movimento ta mezzo-mezzo hein? Pois e'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ola, como funciona? Assim: pega o seu prato, escolhe a sua salada, o seu prato quente, o churrasco e eu peso aqui seguindo esta tabela. De nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, americano tem problema com comida por quilo? Aposto que se tivesse Combo1, Combo2 e Combo3 eles nem queriam saber o preco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso me esticar um pouco. Ai meus calcanhares. Deixa eu arrumar uma caixa pra apoiar os pes. Por que nao me dao um banquinho hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(12h58)&lt;br /&gt;Que lustre bonito, nao tinha reparado. Deve ter sido bem carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como e' bom trabalhar do lado de uma academia. Sim, claro que vi. Olha la, agora ela esta voltando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(13h23)&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dia fraquinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa tarde. Assim: voce pega o seu prato (..."e enfia no cu"...), escolhe a sua salada, o prato quente, o churrasco (..."quer ver a minha picanha?"...) e eu peso aqui conforme esta tabela de precos. Pois nao, nao ha de que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Sao Paulo ganhar do Cruzeiro, ja e' campeao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ola. O seu prato, por favor. Aqui esta. Obrigado e tenha um bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(13h59)&lt;br /&gt;(..."puta que pariu, nao aguento mais explicar essa merda"...) Assim: voce pega o seu prato...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nome estranho. Agora era so o que me faltava: ficar lendo nome das pessoas pelo recibo do cartao. Nao deixa de ser um bom passatempo. Esse e' russo. Italiano, facil. Mexicano. Latino da America latina. Essa 'e... nao sei. Coreana. Tailandeses. Orientais, certeza, de algum lugar do oriente. Ha-ha, quanta besteira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa tarde, senhor (..."que cara de arabe"...). Sua conta deu... 9.11!!! Nossa, que conta perigosa hein? O que? O seu nome e' Mohammed???? Nao acredito! Qua Qua Qua Qua!!! Nao pode ser! Que coisa nao? Inacreditavel. 9.11 - Mohammed. Boa refeicao, Mohammed. (..."e nao coloca muita pimenta pra nao explodir o estomago"...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(14h41)&lt;br /&gt;Putz, chega 18h00 mas nao chega meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fazer minha hora de almoco. Ligar pros filhos, tomar um cafe. Ei, quem fica aqui no meu lugar? Voce? Entao vem. Valeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que solzinho bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(15h40)&lt;br /&gt;Voltei. Deixa comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa tarde, senhor (..."a sua mulher e' uma baranga hein?"...). Tudo bem, obrigado. O seu troco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ola. Aqui vai. O seu troco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi. O seu prato. Aqui... obrigado, ate mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(..."mas que catso que resolveram todos comer de uma vez uma hora dessas?"...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hi! Tudo bem, sir? O seu prato, sir. Aqui o valor, sir. O seu troco, sir. (..." vai se foder, sir"...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vou ver um filminho amanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que tem de bom no cinema? Ah sim, The Brave One. Jodie Foster deve estar demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(16h18)&lt;br /&gt;Que calmaria. Vou me esticar de novo. Ai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta uma piada, vai. Caralho, que piada horrivel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La la la la...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(17h30)&lt;br /&gt;Ah, se continuar o movimento fraco, vamos todos sair mais cedo. Duvido. Ei, enche essa garrafa de 'agua, por favor. Tem cafe? Eu quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arctic Monkeys toca na terca no Hollywood Palladium. Sim, pretendo ir. Perdi Donita Sparks no Viper Room.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(18h00)&lt;br /&gt;Como funciona? (..."voces estao de palhacada ou o que? pega esse prato e quebra na cabeca desse seu namorado pangare"...) Pega o prato, a comida e eu peso aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E' por peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ler Bob Dylan. 15 dolares um livro de cronicas do Bob Dylan! Onde ja se viu uma coisa dessas? Genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois pudins, por favor!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(19h30)&lt;br /&gt;Galera, olha o que e' de gente la fora! Caramba, umas 20 pessoas. Fodeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ola, obrigado. O troco. Ate. Oi tudo bem? Sim, temos. Ali. Por nada. Nao, so de chocolate. Isso e' bombom. Do Brasil. Guarana'. Bom. De nada. O peso. Sim, por peso. Embalagem pra viagem ali. Por peso. Pega o seu prato ali. Obrigado. O troco. Tenha uma boa noite. Nao quer carne hoje? Okay. Obrigado. Boa noite. Sem bebidas? Soda? Tem. Nao, isso e' cerveja. Brasileira. Boa. Tchau. Oi, voce de novo? Legal. Boa refeicao. E', ficou movimentado de repente. Entao ta. Oi. O prato esta ali. Senhor, tudo aqui e' por peso (..."o proximo filho da puta que me perguntar eu quebro o nariz com esse espeto"...). Ola', obrigado. O seu sorriso e' mais bonito. Sim. 'Agua? Aqui vai. Acabou o creme de papaya. Oh, me desculpe. Troco errado? Deixa eu ver. Tem razao. Desculpe. Boa refeicao. Ta pagando pra quem? Pros cinco? Sem problemas. Daniela Escobar? To vendo. Vem sempre aqui? Que linda. Que marido ridiculo. Ola. O seu troco. Isso e' alcatra. Nao, nao tem coracao de galinha. Nao, nao tem maminha. Tem essas opcoes, ta vendo? Senhora, ja cobrei, pode ir procurar um lugar pra sentar por favor, de modo que a fila ande. Ah, nao vou atender o telefone. Um minuto, por favor. Alo? Mesa pra 11? Pode vir. Ja' ta' chegando? Bom, estamos aqui. Comida por quilo. (..."e'e'e'e' porra!!! nunca ouviu falar de comida self-service????!!!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(20h30)&lt;br /&gt;Ate que enfim uma folga. Que rush foi esse? Meus calcanhares!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha que belo carro. Humpf, vou ter de comprar um toyotinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus, me permita tomar 15 litros de cerveja daqui a cinco minutos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(20h35)&lt;br /&gt;Deus? Voce esta ai'? Cade os 15 litros de cerveja? Claro que acredito em voce! Ora, vai regular? Poxa, rezo todas as noites e todas as manhas, alem de ter sido um bom menino. Okay, eu conto ate 3 e depois 15 litros de cerveja vao aparecer bem na minha frente. 1! 2! 3! ... Entendi, Deus. Voce esta ai', mas nao vai me permitir tomar 15 litros de cerveja agora. Eu sei, ainda tenho clientes pra atender. E' verdade, voce tem razao. Obrigado mesmo assim, Deus. A gente se fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(21hoo)&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha folga e' no sabado? Legaaal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso ver o mar. Preciso que alguem durma comigo hoje. Nao, nao quero casar, que mania! Tudo precisa casar? Mas seria legal ter alguem na guest house me esperando. Um cafune e' bacana ne? Ta, um abraco sincero vai. Nao, abraco nao. Alguem pra dividir a cama mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(21h31)&lt;br /&gt;"Se meus joeeeelhos nao, doessem maaaaais..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao vem mais cliente. Certeza. Vou dividir a gorjeta do dia. Ah, nao vou esperar fechar, nao vem mais ninguem mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(21h52)&lt;br /&gt;Chefia, ja deu ne'? Vou fechar o caixa e cuidar da grana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caramba, esse dono ta' enchendo o rabo de dinheiro. Essa bolada por dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(22h00)&lt;br /&gt;Chega! Valeu galera beijo a todos! Peace out!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meus calcanhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguem me da uma carona?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-2340133657116163402?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/2340133657116163402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=2340133657116163402' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/2340133657116163402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/2340133657116163402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/12-horas.html' title='12 horas'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-6914138826566549501</id><published>2007-09-13T19:17:00.000-07:00</published><updated>2007-09-13T20:20:02.550-07:00</updated><title type='text'>Diga-me o que comes</title><content type='html'>Um homem de cabelos curtos, bem aparados, risca lateral retinha, entrou sereno. Cara de imigrante italiano, nacionalidade que me deixou confirmar minutos mais tarde pelo cartao de credito. Observou bem as opcoes do buffet, caminhou para as saladas, encarou atentamente as carnes do churrasco. Perguntou sobre picanhas, alcatras e frangos. Depois pegou seu prato, tomou um lugar na fila e de repente aparece na minha frente com uma refeicao de milho (!). Exatamente, o cara deve ter comido uns 350g de milho em conserva (aceitou uma fatiazinha de carne para nao passar ridiculo). Quem `e o tipo de pessoa que almoca milho? Sera que a comida reflete a personalidade do sujeito? Diga-me o que comes e te direi que `es. Dia seguinte ele voltou. E no outro tambem. De agora em diante existe no planeta Terra um ser humano que entra numa churrascaria pra comer milho. O que pensa da vida uma pessoa que come 0.50g de carne e 350g de milho ???!!! Ao menos posso imaginar que sua cor preferida `e o amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa `e certa. Realmente ha uma relacao entre sexo e carne. `E serio. Gente um pouco mais sensual, "extrovertida", comunicativa, ou sacana mesmo, gosta de carne mal-passada. Sao esses que lambem os beicos, que ficam naqueles interminaveis sussurros "hummm" "ahhh" "wow" "oh my god" "that's it baby" enquanto os churrasqueiros cortam as carnes para o seu deleite. Quem gosta de carne bem-passada nao vai alem do "okay, I like that". Direto ao ponto, sem firulas. Talvez eu esteja profundamente enganado, mas acho que esses sao os mais certinhos, comportados, preferem mater a discricao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carne mal-passada sai molhada do espeto. Deixa rastro por onde passa. `E preciso se lambusar sem vergonha. Deixa claro que voce vai ficar babando. Ele/ela sai sempre comentando de como o seu file' `e o melhor, com risadinhas que dao a trilha sonora do filme. E os gestos e as interpretacoes e as mimicas realcam a preferencia. Um senhor de Nashville cara-de-cowboy nao teve o menor pudor ao escolher a sua carne. "Senhor, como prefere a sua carne?" "Meu amigo, Nashville `e como os pampas do Brasil! Eu gosto da carne que faz muuuuuuuu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carne que faz muuuuuuuu? Sim, ele gosta de muito mal-passada. Sangrando. Sua vaca, eu te matei e eu te como do jeito que quiser. Vaca `e pra isso mesmo: passou na janela, leva ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os timidos evitam a carne. Estao loucos para come-las. Observam-nas com gosto e apreco. Mas recusam-nas, ficam apenas nos pedacos de frango, acompanhados de vagem, folhas de alface, legumes, arroz branco, tudo muito sereno e tranquilo... Ele: "Amor, nao quer uma fatia de alguma coisa?" Ela: "Hihihi, acho melhor nao. O que voce acha? Ah, nao sei. Vou comer isso aqui mesmo". Sera correto o meu raciocinio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma loira alta, nordica, passos largos e firmes, tipo eu-sou-mais-eu, chegou com decisao. Foi la na frente da fila. Me encarou:&lt;br /&gt;"Essa carne `e temperada?"&lt;br /&gt;"Nao, apenas leva sal grosso"&lt;br /&gt;"Entao, `e temperada"&lt;br /&gt;"Nao, apenas sal grosso para dar o sabor correto"&lt;br /&gt;"Humpf, e o que `e esse oleo que o churrasqueiro passa na carne antes de leva-la `a churrasqueira?"&lt;br /&gt;"Um oleo para nao deixar a carne ressecar"&lt;br /&gt;"E esse oleo `e de que?"&lt;br /&gt;"Oleo de oliva"&lt;br /&gt;"Viu, a carne `e temperada com oleo de oliva. Nao quero, obrigada."&lt;br /&gt;"..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que raiva de oleo de oliva `e essa, amorzinho? O que o tempero te fez, meu bem? Aqui com minhas moedas: o tempero `e sinonimo de carater? Pimentas definem linhas de conduta? Mostardas dao pistas de gosto musical? Azeitonas, que indicam? Alho traduz o que? Salsinha, tao discreta, porem tao marcante, sao os misteriosos que te saboreiam?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-6914138826566549501?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/6914138826566549501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=6914138826566549501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6914138826566549501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6914138826566549501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/diga-me-o-que-comes.html' title='Diga-me o que comes'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-6333715097504576593</id><published>2007-09-12T10:15:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T12:05:35.970-07:00</updated><title type='text'>Guest house em West LA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Consegui uma guest house em West LA por duas semanas. Guest house, um espaco anexo `a casa principal, onde o anfitriao pode oferecer privacidade e conforto ao convidado. O anfitriao, neste caso, o dono do restaurante onde trabalho. Acho que ele foi com a minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira noite, puro reconhecimento de terreno. Uma casinha retangular, mais ou menos 10 x 30 metros. Entra-se pela pequena cozinha, devidamente equipada com geladeira, fogao, microondas, armarios. Ataquei um iogurte de morango para continuar a inspecao. Como toda casa americana, integrada com os demais ambientes. Uma sala agradavel, sofa para tres pessoas, mesa de centro, televisao. Piso de madeira, moveis rusticos. Tudo muito silencioso, podia ouvir meus passos, minha respiracao, os grilos la fora. Uma cristaleira forrada com fitas de video do mais variado cardapio: Independence Day, O Patriota, O Exterminado do Futuro, Tomates Verdes Fritos, cinema italiano, desenhos animados. Ate um filme interessante que nao conhecia, Welcome do Sarajevo, sobre jornalistas cobrindo a guerra na Bosnia, que deixarei para outro dia. Estava um pouco cansado pelo dia de toma-la-da-ca de notas e moedas, certamente nao teria tempo suficiente para assisti-los. TV, quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei na poltrona, tirei o par de tenis, estiquei as pernas na mesinha de centro, onde dois controles remotos me aguardavam. Logo pensei, humm, dois controles vao me complicar a vida. Evidentemente nao consegui fazer a programacao a cabo surgir na tela da televisao. A tecnologia tem dessas coisas, dificultam a humanidade. O cara inventa um aparelho fantastico, mas os moderninhos metem o bedelho. Seria tao simples um liga ou desliga, com canais para cima ou para baixo, e volume. Simples assim, pronto e acabou. Nao `e preciso mais nada para o bom caminhar do entretenimento. Mas, nao: exigem de mim o botao A, pressionado com o B, somado ao comando Seta Direita, desde que a trava de apontada para o lado X. Nunca fui bom de videogame mesmo. Desisti e fiquei olhando a tela azul por alguns segundos... Okay, agora uma boa ducha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no banheiro e pisei num cocozinho seco de cachorro, tipo pincher. Hahaha, quanta ironia. Justo naquela mansao. Vai ver a filha do dono deixou o cao passar por la. Recolhi as fezes secas com tranquilidade, pois ali havia uma banheira branca para o meu usufruto. Limpa, daquelas antigas, cercada de cortinas dupla-folha `a Alfred Hitchcok. Agua fria, agua quente, mantive na temperatura exata. Xampu da Victoria`s Secret, sim, um luxo. Pensei traquinamente: por que nao lavar tambem as minhas partes com Victoria`s Secret? Muito legal, diversao garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nu em meus aposentos, segui para a cama de casal, separada da sala apenas por um biombo vazado, bastante charmoso. Edredon macio, travesseiros sensiveis, pequenas almofadas decoradas para o total conforto do imperador. Me joguei, levei cinco minutos para encontrar a melhor posicao e, quando consegui, vi a porta do banheiro entreaberta. Imediatamente lembrei de Hitchcok e levantei para tranca-lo la dentro. Nao da pra dormir olhando um porta entreaberta. Alguem sempre sai de uma porta entreaberta. Bom, aproveitei para tomar um gole d`agua e colocar uma cueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei alguns dos meus CDs, voltei pra cama, apaguei as luzes, liguei o abajur ao meu lado, gastei outros cinco minutos para ajeitar a perna esquerda, a direita, o tronco e a cabeca. No criado-mudo, um pequeno sound-system portatil... com as horas desreguladas. Eu de novo contra a tecnologia. Analisei bem, me fiz de engenheiro eletronico, cerrei as sombrancelhas e fui apertando os botoes. Parece facil, mas nao `e. Muito bem! Horas corretas, despertador ajustado. Que tal uma musiquinha pra relaxar e dormir? Na duvida, escolhi Beatles pra me embalar com With a Little Help from my Friends. O open eu encontrei rapidamente. Coloquei o CD. Play tambem estava la no devido lugar. Pressionei e... nada. Nao tocou. Claro que nao deve ser so um play, tem de ser um play apontado para a conjuncao de Saturno com Urano. E eu com aquela caixinha futurista nas maos emitindo energias mentais "funciona...", "funciona...", "funciona...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai ai, calma. Mesmo que num box moderno, o radio `e centenario e nao te abandona nunca. Rodei as estacoes ate ouvir os acordes de Since I've been Loving You, do Led Zeppelin. Suspirei fundo, embarquei na segunda estrofe. Tenham todos uma boa noite.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-6333715097504576593?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/6333715097504576593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=6333715097504576593' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6333715097504576593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6333715097504576593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/guest-house-em-west-la.html' title='Guest house em West LA'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-7564424574844779533</id><published>2007-09-09T14:39:00.000-07:00</published><updated>2007-09-09T15:31:30.338-07:00</updated><title type='text'>Não dormi em casa</title><content type='html'>Não dormi em casa. O rock n' roll falou mais forte. Eu tinha de ver Kings Of Leon no Greek Theatre, uma dos lugares mais bacanas de Los Angeles, um teatro de arena ao ar livre, fincado no meio das árvores do Griffith Park. Mas não tenho carro e não tinha como voltar até Orange County. Sem problemas, joguei nas mãos da Providência. Eu não perderia o show, ponto final. Aliás, talvez eu tenha de parar com essa mania, pois o débito deve estar bem alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kings é uma das bandas mais legais da atualidade. Verdadeira. Sem firulas. Feeling, saca? Embarquei nessa verdade até conhecer, por acaso, um cara que trabalha como barman no... Greek Theatre! Ah Providência, o que você está fazendo comigo? Por que tantas oportunidades? Estou usufruindo do saldo ou acumulando dívida pra pagar depois? Qual é a minha, afinal? Ok, mais tarde Você me responde. "Meu chapa, posso dormir na sua casa hoje? Amanhã eu vou embora". "Porra, brother, demorou. E ainda te arrumo umas cervejas de graça".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito. Cheguei cedo ao local, o que me permitiu ainda caminhar pelos bosques do Griffith, alcançar o observatório (outro?) astronômico, ver toda a cidade lá de cima do parque, o letreiro de Hollywood a poucos braços de distância, ver o sol cair, me questionar e esquecer das questões, viver, respirar, estar ali. O silêncio. Pura e simplesmente. Aquelas coisas. Tomei um balde de café e voltei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Greek tem um clima singular. E eu já comecei o show no clima. A primeira cerveja saiu do meu bolso, mas o outro litro e meio ficou por conta da casa. Charmer me fez arrepiar. Slow Night So Long me levou às preces. The Bucket e Soft encheram meus olhos de lágrimas. Milk e Arizona colocaram-me em outro lugar. Só faltou Joe's Head pra quebrar as minhas pernas. Agradeci tanto que a Providência me deu mais de lambuja (?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Oi, você tem um isqueiro?", soprou aquela voz feminina no pé do ouvido. Era uma das três loiras que "resolveram" parar ao meu lado.&lt;br /&gt;- "Não, mas se você tiver um cigarro, eu aceito"&lt;br /&gt;- "O cigarro que você imagina eu não tenho, mas tenho esse outro pra você e nós três aqui"&lt;br /&gt;- "Então eu te arrumo um isqueiro agora!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh Providência! A que te devo? Quem será que sou eu? Até onde vai a minha lista de oportunidades? Tudo bem, não quero saber. Me responda beeeem mais tarde, por favor, se não for pedir muito. E ali ficamos, eu e elas, ao som de Kings por toda a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte eu acordei, o brother foi trabalhar e eu saí andando pelas ruas de LA até alguma idéia surgir na cabeça. Um café expresso e um bolo de banana com nozes na cafeteria mais próxima. Biblioteca Central de Los Angeles! Claro! É tudo o que eu preciso! Um bom livro, um mundo de letras, textos, capas, texturas e silêncios desconcertantes. Não, desta vez não me refugiei em Charles Bukowski. Corri direto para Literatura Estrangeira, louco para encontrar Garcí de Montalvo e as aventuras de seu Amadís de Gaula, cavaleiro de marca maior, herói, conquistador, guerreiro, livre, rei. Viajante dos bons.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-7564424574844779533?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/7564424574844779533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=7564424574844779533' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/7564424574844779533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/7564424574844779533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/no-dormi-em-casa.html' title='Não dormi em casa'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3554173324811813138</id><published>2007-09-06T20:34:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T20:51:47.777-07:00</updated><title type='text'>Cocô de cachorro</title><content type='html'>Mais de 60 mil pessoas ficaram horas sem energia elétrica e tiveram problemas com comida estragada, além de ficar sem ar-condicionado numa tarde de 40 graus. Moradores da região de Harbor estão bastante preocupados porque o Hospital Martin Luther King Jr. será fechado e eles não terão opção de saúde pública. Quatro jovens foram mortos a tiros em plena Beverly Boulevard: briga de gangues rivais. Notícias comuns de uma grande metrópole, ainda estranhas num país de primeiro mundo. Mas uma coisa é certa: não tem cocô de cachorro na rua! Dê ao paulistano qualquer nota de violência, duvido que ele entenderá uma calçada sem cocô de cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode andar horas num ônibus lotado. Certamente não corre o menor risco de pisar num cocô de cachorro quando saltar no ponto. É um alívio, caminhar em direção ao lar-doce-lar com brisa à face, cabeça erguida, nariz empinado. Não há chance de pisar em cocô de cachorro. Você pode chegar de carro em casa e não haverá um grande e roliço cocô de cachorro te esperando no portão. O que te dá uma incrível sensação de prazer e dever cumprido por mais um dia de trabalho. Você tem a singular oportunidade de chegar da balada, cair na cama morto de cansaço e nunca vai descobrir aquele borrão de cocô de cachorro no tapete da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não tem vira-lata na rua. E raramente se vê cidadão passeando com o melhor amigo pelo quarteirão. Quando o faz, recolhe o cocô de cachorro devidamente. Eu odeio cocô de cachorro. As famílias brincam nas praças públicas sem se preocupar com cocô de cachorro. Os pais podem deitar e rolar no gramado sem chafurdar num cocô de cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vizinhos não brigam por cocô de cachorro. Podem brigar por qualquer outra coisa. Mas por cocô de cachorro, não. Não há poodle que te atormente. Me desculpem, mas cocô de cachorro é uma merda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3554173324811813138?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3554173324811813138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3554173324811813138' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3554173324811813138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3554173324811813138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/coc-de-cachorro.html' title='Cocô de cachorro'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-6763216955081341808</id><published>2007-09-06T19:55:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T20:29:28.962-07:00</updated><title type='text'>Coisas indescritíveis</title><content type='html'>Quatro gaivotas pousaram bem no mar raso, ali onde a onda já quebrou e a água só escorre sobre a areia. Procuravam peixinhos para a refeição. Foi o sinal para que um grupo de meninos corresse em direção ao mar, com suas ferramentas, felizes, às gargalhadas, para tentar pescar alguma coisa também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, na verdade, eu queria mesmo era falar sobre o pôr-do-sol no Pacífico. Mas me falta uma nova tábua de vocábulos para descrever um céu azul pleno e constante, daqueles que a gente desenha no jardim de infância. E aí tudo o que te resta é ficar pensando no intraduzível, conversando consigo mesmo: "ei filho, veja como isso é maravilhoso, você precisa ver isso, vem aqui comigo por favor, as pessoas precisam de paz, é só o que elas precisam". Havia um sol de circunferência exata, a dois palmos de altura do horizonte (eu medi), amarelo-dourado-alaranjado. Mas eu não sei colocar em texto o conforto daquele calor batendo na testa. E tudo o que te resta é fechar os olhos e meditar, silenciosamente, na tentativa de ver o mundo ao seu redor sem abrir as pálpebras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi casais namorando à beira-mar. Vi um pai e a filhinha, calados, na borda do píer, olhando pescadores solitários. Eu poderia sim descrever cada um deles por inteiro, mas agora eu não sou capaz de explicar o significado de qualquer sensação de serenidade daquela paisagem. Vi dois artistas de rua sapateando com maestria na calçada da praia, mas, que coisa, eu não sei contar a alegria de vê-los dançar com tanta graça e liberdade. Caminhei por uma feira-livre a poucos metros da praia, com gente feliz conversando, comprando bugigangas e outras tranqueiras, jovens tocando violão, idosos de mãos dadas. E eu na minha passarela transitei desapercebido, sozinho. E vi que a estrada não tinha fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-6763216955081341808?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/6763216955081341808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=6763216955081341808' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6763216955081341808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6763216955081341808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/coisas-indescritveis.html' title='Coisas indescritíveis'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3960174141337919451</id><published>2007-09-03T18:13:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T19:58:51.420-07:00</updated><title type='text'>Página em branco</title><content type='html'>Todo êxtase é periodicamente acompanhado de uma bandeira. E essa bandeira te lembra que é preciso ir mais devagar, colocar os pés no chão, viver sem esquecer da estrada que ficou pra trás nem do solo que você pisa nesse determinado momento, ou simplesmente te dá o conforto de que a obrigação foi e está sendo cumprida. A realização segue paralela à tristeza do mais próximo mais próximo mais próximo mais próximo mais próximo. E o contrário também. A vida tem só um peso e só uma medida. Tem sempre alguém que segura a nossa onda, para que o mar não nos engula. O oxigênio que nos sobra serve para segurar a onda do outro, e vê-lo surfar. É assim que as pessoas se resgatam. A morte, por exemplo, carrega em si o ponto final, mas também vira a página em branco apontando para a eternidade. Da eternidade, só quem virou a página pode entender. Então aqui eu me calo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a página virada por alguém me faz lembrar o quanto sou grato a todos que me serviram um prato de comida. Penso até em quem não sei se resignou por mim. Sou profundamente agradecido a todos que suportaram me ver abraçado ao caixão de meu pai, tão menino. Eu entendo o quanto a memória nos empurra para frente. Façam das suas memórias combustível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tardem. Pois, parafraseando Edenilton Lampião: de repente, uns somem do cenário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3960174141337919451?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3960174141337919451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3960174141337919451' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3960174141337919451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3960174141337919451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/09/pgina-em-branco.html' title='Página em branco'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-5761645954016042031</id><published>2007-08-30T19:48:00.000-07:00</published><updated>2007-08-31T19:01:08.312-07:00</updated><title type='text'>Papo rápido ao cair do sol</title><content type='html'>Estava sentado no ponto de ônibus olhando o sol cair por trás das palmeiras e senta um jovem senhor ao meu lado. Simpático, comunicativo, apenas com uma mala de viagem. Sorridente, tão pensativo quanto eu, ele abriu um porta-sedas, tirou uma folha, picou uma fatia de tabaco. Acendeu, deu o primeiro trago. Riu e me disse assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que fácil, não é? Tão fácil chegar até aqui, estou impressionado. Acabei de chegar de Nova York, peguei o metrô até Norwalk, de lá um ônibus até aqui e agora pego a linha 29. Você pega a linha 29 também?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto dele não me era estranho. Uma sensação familiar, ou alguém parecido com outro alguém da TV. Sei quem parece, está na ponta do cerebelo, mas não lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, pego a linha 29."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é demais! Não é engraçado? Estou chegando do outro lado do país e agora estamos aqui. Veja só como as coisas funcionam. É fácil se locomover, ir pra onde quisermos. Eu moro tanto tempo aqui e nunca havia me dado conta como é fácil ficar sem carro, até mesmo na Califórnia. Adorei esses hacks que transportam bicicletas na frente do ônibus. Que idéia genial."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, você mora por aqui? Tá voltando de férias?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não. Moro em Nova York, vim visitar uns amigos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Puxa, que legal. É bom visitar os amigos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, aos 62 anos é mais legal ainda. Aproveitar para rever os amigos realmente especiais. Sabe por que esses meus amigos são realmente especiais?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Humm... não."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porque em março eu tive um problema sério de próstata e vim me tratar aqui perto, em Yorba Linda. E foram essas pessoas que me deram um atendimento muito especial. Vim dar um abraço neles."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento fiquei completamente sem saber como continuar a conversa. Fui salvo pelo Roger, um dos grandes amigo dele, que o chamou pelo celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oi Roger!!! Tudo bem??? Já estou aqui!!! Sim, estou no cruzamento da Imperial com a Beach Boulevard, conversando com um novo amigo aqui. Ele está me explicando como funcionam os ônibus, trocando umas idéias. Você vai me pegar aqui? Não, não precisa, ele está aqui ao meu lado e me explica como chegar. Bom, ok, aguardo você aqui então."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desliga e volta pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Roger vem pra cá. Sabe, como eu estava dizendo, outra coisa engraçada é o quanto ouvimos o espanhol aqui na California. Todo mundo fala espanhol e inglês ao mesmo tempo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem deu tempo de eu dizer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oi Roger, sim, ok."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou. Aí foi a minha vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E como está Nova York?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nova York está estranha. Economicamente complicada. A situação lá está difícil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era exatamente o papo que eu queria ter, mas entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que engraçado. Aqui na Califórnia é o oposto. Placas de 'contrata-se' pra tudo quanto é lado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti que ele me daria uma excelente resposta. Tipo respostas de professor de Ciências Sociais, daquelas que a gente finge que é nossa e fica repetindo pros colegas e familiares. Mas o Roger, aquele puta cara legal, desta vez atrapalhou. Foi rápido. Ele volta com a empolgação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sabe, eu falo espanhol. Falo espanhol muito bem. Vim conversando com todo mundo. Muito legal. Também falo alemão. Gosto de estudar os idiomas. Tempos atrás eu tive uma namorada brasileira, de São Paulo, e comecei a aprender o português. Pena que até hoje eu só conheci uma pessoa que falasse português. Ela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Aquilo não podia estar acontecendo. Um senhor de 62 anos voa de Nova York até LA, pega um metrô até Norwalk, um ônibus até a Imperial e senta do meu lado pra dizer que fala português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pois, então, senhor. Muito prazer. Meu nome é Guilherme, sou brasileiro, de São Paulo e falo português."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nããão! Sério? Vamos falar português! Agora. Quero dizer, eu não sei falar, mas entendo perfeitamente. Vamos, pode começar a falar. Diga alguma coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer alguma coisa? Assim, do nada? Que sensação estranha. É como alguém que você nunca viu na vida chegasse ao seu lado e te dissesse "Oi! Tudo bem? Como vai? E aí, quais são as novidades?" Mudez total. Não pude pensar por mais do que cinco segundos, pois ele já estava olhando para a minha cara, esperando o primeiro verbo. Soltei a primeira frase. A partir daí eu falava português e ele, inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ééé... Nossa, eu acho o português uma língua muito difícil para quem não é nativo do idioma. Deve ser difícil aprender."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bom, difícil é, mas dá pra aprender. O meu maior problema é que parece que existem vários tipos de português."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pois é. Vá para Portugal, saia de Lisboa, e a coisa começa a complicar bastante."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não digo nem em Portugal, país que ainda vou visitar. No Brasil mesmo tem muita diferença. O sotaque do Rio de Janeiro, por exemplo, é bem marcante comparado ao de São Paulo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A-hã. O cara se adiantou completamente ao meu papo. Era o que eu ia explicar: o 's' com som de 'sch' e o 's' com som de 's' mesmo. Ele que me explicou. Bom, segui por outro caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas senhor, diga uma coisa. Aprendeu a entender o português só conversando com a sua ex-namorada?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que nada. Ficamos juntos só por uns três meses. Mas fiquei muito interessado pelo idioma. Aí entrei na Internet, encontrei uma escola, comprei os áudios, videos e livros de aprendizado e comecei a estudar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uau. Aquele jovem senhor parecia estar testando a minha capacidade de continuar uma boa conversa. Mas eu já tinha uma lista gigante de perguntas para saber mais da sua história. Tristemente não pude saca-la das mangas. O 29 dobrou a esquina. Levantamos do banco quase ao mesmo tempo: eu para ir ao ônibus, ele para atender o Roger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Senhor? Tchau, até mais. Senhor? Tenho de subir! Senhor?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não me ouviu e o ônibus partiu. Tchau, senhor... fique em bem... e dê um abraço no Roger por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-5761645954016042031?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/5761645954016042031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=5761645954016042031' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5761645954016042031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5761645954016042031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/papo-rpido-ao-cair-do-sol.html' title='Papo rápido ao cair do sol'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-5802051565082996098</id><published>2007-08-29T20:22:00.000-07:00</published><updated>2007-08-29T21:34:41.462-07:00</updated><title type='text'>Observatório 2</title><content type='html'>Por falar em observatório, parece que a febre dos reality shows está chegando ao auge (ou ao fundo do poço, como quiserem). Survivor, Big Brother, American Idol, American Inventor, Supernova, Família Ozzbourne, Cops e todos os projetos filhotes que vieram na esteira. Quando se pensa que não há mais nada a se criar, os produtores tiram novos coelhos das câmeras. Dois deles estreiam em breve. O primeiro será transmitido por uma emissora em espanhol e se chama Sogras, mostrando o cotidiano de casais que vivem com suas sogras (?!). Parece ser um festival de bizarrices, mas que a idéia é engraçada, isso é, digam aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro será levado ar a partir do dia 19 de setembro, pela gigante CBS. E definitivamente já é o mais polêmico desde que a fórmula da "vida real" tomou forma. Em Kids Nation, 40 crianças entre 8 e 14 anos, por 40 dias, foram isoladas num rancho no estado do Novo México e, lá, a partir do nada, tiveram de desenvolver sua própria sociedade. Sem o menor contato com os pais ou qualquer pessoa de fora. Como assim? Assim mesmo: escolher suas casas, limpa-las e organiza-las, fazer suas refeições, montar e administrar negócios, trabalhar, limpar vagões de trem, ruas... enfim, tudo para a sua sobrevivência com início no ponto zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emissora vale-se do argumento de que o objetivo é mostrar como é possível desenvolver uma sociedade mais justa e fraterna, basta seguir a capacidade e pureza das crianças. E garante que todas elas foram tratadas com respeito, ética e a devida salubridade. Mas, como era de se esperar, não está fácil convencer tudo o quanto é organização civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, órgãos públicos querem processar os responsáveis do programa por colocar crianças para trabalhar. Os advogados da CBS estão jogando com a interpretação da lei e defendem que as crianças não "trabalharam" e, sim, "participaram" do Kids Nation.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Associações de defesa de crianças, jovens e adolescentes não tardaram a entrar na briga, questionando a segurança dos participantes. Quero dizer, dos trabalhadores. Quero dizer... ah, enfim.... Ainda mais depois de ter vazado na imprensa a notícia de que uma menina de 12 anos queimou o rosto com água quente ao tentar fazer sua refeição. Abuso e negligência são os termos mais usados pelos críticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sindicato dos atores já não aguenta mais os reality shows na batalha pela a audiência. Isso porque esses programas tomam a maior parte dos canais e, por não usarem atores profissionais, engolem o espaço dos artistas nas grades televisivas. A Federação Americana dos Artistas de Rádio e Televisão (AFTRA), da qual a CBS faz parte, divulgou que está revendo o contrato com a emissora e as famílias das crianças. E mais: a emissora está sendo acusada de pagar roteiristas para o Kids Nation. Ora, se é um reality show, vida real, teoricamente não é preciso um roteirista. O que dá ainda mais carvão para a fogueira daqueles que acreditam que reality shows não passam de armação para ganhar telespectadores e anunciantes. Participantes de programas anteriores revelaram que recebiam instruções de roteiristas e até mesmo repetiam cenas/diálogos para tornar o take mais interessante/controverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada criança recebeu entre US$ 8 mil e US$ 20 mil. Alguém aí duvida que será um campeão de audiência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-5802051565082996098?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/5802051565082996098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=5802051565082996098' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5802051565082996098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5802051565082996098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/observatrio-2.html' title='Observatório 2'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-6857835114235831329</id><published>2007-08-28T20:01:00.000-07:00</published><updated>2007-08-28T20:33:23.012-07:00</updated><title type='text'>Observatório</title><content type='html'>Do alto do meu minarete, do topo da minha torre de comando, da sacada do meu castelo, eu sou o observador. Quem passa pelo meu campo de visão é registrado. Eu sei das unhas mal-pintadas, dos cílios postiços, dos brincos delicados. Sei dos cabelos bem cortados, dos dentes tortos, dos melhores amigos, dos solitários, dos cheiros de perfume, das roupas velhas e novas, das bolsas de marca. Dos corpos bem delineados, de todos os decotes que deitam diante de mim. Do desfile de saias e pernas ao sol. Dos gays, das lésbicas, dos heteros, dos casais, das famílias inteiras eu sei. Dos idosos simpáticos e dos amargurados. Sei dos olhos mais profundos, dos rasos e dos mais distantes. Também sei dos portadores de deficiência e de transtornos compulsivos obsessivos. Sei até dos sem-teto que juntam migalhas e vêm à mim por um prato de feijoada e tiras de alcatra sem coragem de me fitar nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na linha de frente estou completamente exposto e não havia percebido que o observado sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notam-me a barba por fazer, a limpeza do meu avental. Reparam-me a velocidade com que conto notas de 1 dólar, as moedas que escorrem-me por entre os dedos. Contam as horas a fio que fico em pé e quantas garrafas de água posso beber em 10 horas. Percebem-me quão rápido posso pesar um prato de comida, quão bem sou capaz de servi-los. Investigam minha honestidade. Medem minha solicitude. Sublinham-me as falhas. Procuram nas minhas retinas todos os ois e os obrigados. É de mim que esperam o último sorriso (se a primeira impressão é a que fica, a última é a única capaz de sanar).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-6857835114235831329?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/6857835114235831329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=6857835114235831329' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6857835114235831329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/6857835114235831329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/observatrio.html' title='Observatório'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-3623057965397909897</id><published>2007-08-23T08:21:00.000-07:00</published><updated>2007-08-23T08:51:57.287-07:00</updated><title type='text'>Deixem a vida acontecer</title><content type='html'>Saiam das agendas, deixem a vida acontecer um pouco. Abram espaço, dêem passagem, saiam da frente. Deixem a vida acontecer, pois é bem possível que você esteja em plena Broadway decadente no centro de Los Angeles até ser parado por um maluco qualquer. "Italiano?". "Não, sou brasileiro". "Ah, eu nasci no México e vivo aqui desde bebê. Sou americano, fui lutar na Guerra do Vietnã (e te apresenta a medalha pendurada no pescoço). Foram seis anos de batalha. Tudo o que eu mais fazia era fumar maconha e dar dois ou três tiros. Fumava outro, e mais dois ou três tiros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas não acontecem sempre quando a gente quer, mas elas geralmente acontecem quando não causamos impedimento nenhum. Façam o jogo cósmico. Deixem a vida acontecer que você pode até ver um caminhão passando diante dos seus olhos sobre os trilhos do metrô. "Whatta fuck???!!!" Sim, eu vi. Juro que vi um caminhão passando sobre os trilhos do metrô a 85 palmos do chão. E também juro que não havia fumado nenhum baseado vietcong. Teve direito a buzinada e motorista com o braço pra fora da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixem a vida acontecer que perigas você entrar num bar morrendo de sede e encontra uma cerveja com o seu próprio nome! "Jose, qual a boa aí pra molhar a garganta?" "Sierra! Sierra Nevada!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reservem todos os minutos do seu dia para que a vida aconteça. Desbloqueie até o último segundo. Não duvide que às 11h da noite, láááá na última estação de trem, uma garota neo-punk com mp3 nos ouvidos e piercings cravados nos lábios venha te pedir um celular emprestado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-3623057965397909897?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/3623057965397909897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=3623057965397909897' title='60 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3623057965397909897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/3623057965397909897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/deixem-vida-acontecer.html' title='Deixem a vida acontecer'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>60</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-8083637603877194779</id><published>2007-08-22T08:33:00.000-07:00</published><updated>2007-08-22T09:13:21.263-07:00</updated><title type='text'>A cantada mexicana</title><content type='html'>- Hola. Hi. (o spanglish dele vai meio traduzido)&lt;br /&gt;- Oi (o inglês dela já vai traduzido aqui)&lt;br /&gt;- Trabajo? Voltava de trabajo?&lt;br /&gt;- Yes (ainda com a cara olhando pra paisagem lá fora)&lt;br /&gt;- Oh. Claro.&lt;br /&gt;- Y... Where... Donde?&lt;br /&gt;- North Hollywood.&lt;br /&gt;- Ah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que haces? Your work, compreende?&lt;br /&gt;- Sou técnica de laboratório.&lt;br /&gt;- Oh, nice.&lt;br /&gt;- Yo vendo beer.&lt;br /&gt;- Beer?&lt;br /&gt;- Si. Tengo una beer store.&lt;br /&gt;- Good.&lt;br /&gt;- Pero... but.. no lo tengo autorización para vender. To sell, you know?&lt;br /&gt;- Não tem? Mas tem de ter!&lt;br /&gt;- Ahaha. Mas não tenho.&lt;br /&gt;- Como compreendes español? Te gusta los mexicanos?&lt;br /&gt;- Sim, trabalho com muitos mexicanos.&lt;br /&gt;- Oh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... (ela volta com a cara pra paisagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- What... is you... come from?&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- De onde es?&lt;br /&gt;- Oh. Texas.&lt;br /&gt;- Texas??? Good! Bueno! Entonces es mexicana!!!&lt;br /&gt;- Não. Sou do Texas.&lt;br /&gt;- Pero Texas era do México! Y hay mucho mexicanos. Y usted... como dicerlo...&lt;br /&gt;- Que?&lt;br /&gt;- Usted, you... es muuuuuucho nice!!!! muuuuuuucho beautiful!!!!&lt;br /&gt;- Oh... ahaha... thank you.&lt;br /&gt;- Su face... mira... parece mexicana...&lt;br /&gt;- Será? Não. Não tem mexicanos na minha família.&lt;br /&gt;- Pero se es do Texas, hay mexicanos in your family.&lt;br /&gt;- ah, okay. So...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... (minutos de silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tienes hijos? Bebês? Babies?&lt;br /&gt;- Tenho filhos, mas não são bebês.&lt;br /&gt;- No bebê?&lt;br /&gt;- Não. Estão na faculdade. College.&lt;br /&gt;- Usted? Na faculdade? Que haces?&lt;br /&gt;- Eu não. Meus filhos acabaram de entrar.&lt;br /&gt;- Ooooohhhhh. I see. Compreendo. Pero es una mujer, a woman, parece um bebê!&lt;br /&gt;- A-hã.&lt;br /&gt;- Y es muuuuucho bonita. Muuuuuucho beautifil.&lt;br /&gt;- Ah, thanks again.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... (alguns suspiros com ares de saco cheio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te gusta los mexicanos?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Mira, tienes quantos kids?&lt;br /&gt;- Três.&lt;br /&gt;- Uh! Piensas en mas kids?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Oh. Y hijos com un mexicano? Teneria un hijo muuuucho beautiful, como usted!&lt;br /&gt;- A-hã.&lt;br /&gt;- Si. Tu es muuuuuucho nice.&lt;br /&gt;- Que piensas de ... (apontava o dedo para a própria face, para os contornos do próprio nariz, dos olhos e da boca)?&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Te gusta mi face?&lt;br /&gt;- Eu não. Mas o meu marido vai gostar muito.&lt;br /&gt;- Oooohhhhh. Ahahahahaha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... (mais alguns segundos e finalmente ela consegue ser salva pelo gongo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Okay. Imperial/Wilmington. Sorry, tengo de partir.&lt;br /&gt;- Ah sim, sem problemas!&lt;br /&gt;- Y... well... bueno.. tu es muuuuuuuuuuucho beatiful!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-8083637603877194779?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/8083637603877194779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=8083637603877194779' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8083637603877194779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8083637603877194779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/cantada-mexicana.html' title='A cantada mexicana'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-4320291892045560419</id><published>2007-08-20T19:47:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T21:00:15.633-07:00</updated><title type='text'>Cruzes em Santa Mônica</title><content type='html'>&lt;span &gt;Sempre tive vontade de perguntar diretamente para um norte-americano o que ele pensa da(s) guerra(s). Ainda não perguntei, mas algumas pistas confesso que me deixaram um pouco mais aliviado. Tudo bem, aqui é a Califórnia, berço do Paz e Amor, onde pessoas do mundo inteiro se encontram e trocam informações. Mas as manifestações contra a invasão do Iraque e, especialmente, contra Bush e seus comparsas, indicam que a juventude está realmente incomodada com o rumo das coisas. Não só porque os soldados estão longe de casa (!), mas principalmente porque civis iraquianos estão morrendo aos montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado 11 estive no Rock The Bells, um evento de rock e hip hop nas montanhas de San Bernardino. Um dia inteiro de sol, muita água e alguma cerveja (não porque não tinha, pelo preço mesmo - 10 dólares!). 65 mil pessoas: punks, pais e filhos, casais, patricinhas, rappers, gangsters, roqueiros e "gente normal" também. Tudo em nome de Public Enemy (do clássico Fight the Power), Cypress Hill (de How Could I Just Killed a Man, Ain't Going Out Like That, Insane in the Brain...) e Rage Against The Machine (de Testify, Freedom, Bombs Over Bagdad, Bullet in the Head... enfim, do album inteiro The Battle of Los Angeles). A volta do Rage por si só já é um pequeno passo para a banda, mas um grande salto para a humanidade. Ninguém como Zack de la Rocha para fazer uma multidão inteira cantar "The environment exceeding on the level of our unconciousness/For example/What does the billboard say/Come and play, come and play/Forget about the movement/Freedom!!!!!!!!". A conservadora rede de televisão Fox News ficou preocupada e levou ao ar a notícia de que a banda estava fazendo apologias à violência e pregando o assassinato de Bush. Num show em Nova Iorque, Zack respondeu e classificou a emissora de "fascist motherfuckers". E ainda se deu ao trabalho de dar uma entrevista à revista Rolling Stone deste mês, explicando que não se tratava de sugestão ao assassinato, e sim que Bush deveria ser entregue a um tribunal internacional criminal e enforcado ou fuzilado. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o espaço de Rock The Bells podia-se ver (ou comprar) camisetas com fotos de Bush, Condee Rice e Dick Cheney sob a inscrição "Procurados Por Crimes Contra a Humanidade", "Donos de Armas de Destruição em Massa" ou com a cara de Bush sob a legenda "Not My President".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camisetas da mesma estirpe também estavam muito bem distribuídas pela esquina que une a Sunset e a Santa Monica Boulevard, a poucas milhas de Hollywood, onde aconteceu no sábado passado o Sunset Junction Street Fair - uma feira de rua recheada de barracas de entretenimento, comida, roupas, artesanato, muita música... e com um grande show de Ben Harper pra fechar a noite. Um brilhante evento cultural pela módica quantia de 15 dólares. Harper foi genial ao levar milhares a cantar With My Own Two Hands, cuja letra faço questão de reproduzir abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I can change the world&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;Make it a better place&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;Make it a kinder place&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;With my own, with my own two hands&lt;br /&gt;I can make peace on earth&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;I can clean up the earth&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;I can reach out to you&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;With my own, with my own two hands&lt;br /&gt;I'm gonna make it a brighter place&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;I'm gonna make it a safer place&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;I'm gonna help human race&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;With my own, with my own two hands&lt;br /&gt;With my own, with my own two hands&lt;br /&gt;I can hold you&lt;br /&gt;In my own two hands&lt;br /&gt;I can comfort you&lt;br /&gt;With my own two hands&lt;br /&gt;But you've got to use&lt;br /&gt;Use your own two hands&lt;br /&gt;Use your own, use your own two hands&lt;br /&gt;Oh, you got to use your own two hands&lt;br /&gt;With our own, with our own two hands&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, para não dizerem que a rebeldia é marca da juventude e manifestar contra algo simplesmente "faz parte", a praia de Santa Mônica ontem estava forrada de cruzes representando soldados norte-americanos mortos no Iraque (3.500 e poucos). Até aí parecia óbvio, apenas mais um sinal de patriotismo cego - afinal Santa Mônica é a praia que todo angeleno médio freqüenta. Mas uma única placa à frente do "cemitério" invertia toda a lógica: "Se tivéssemos de colocar uma cruz para cada iraquiano morto, esta praia não seria suficiente". E mais a informação de que 600 mil pessoas já morreram e mais de 1 milhão ficaram feridas, acompanhada de uma exposição de fotos jornalisticamente belíssimas e factualmente trágicas de crianças atingidas pela guerra, de crianças amedrontadas diante das armas, de adultos sofrendo pela violência, de mulheres chorando pelos mortos, de soldados de ambos os lados feridos em hospitais de guerra. À frente da beleza do Pacífico e diante do famoso píer de Santa Mônica, a manisfestação organizada pelos Veteranos a Favor da Paz se tornou um agressivo contraste que, sem dúvida, colocou muita gente pra pensar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-4320291892045560419?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/4320291892045560419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=4320291892045560419' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4320291892045560419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/4320291892045560419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/cruzes-em-santa-mnica.html' title='Cruzes em Santa Mônica'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-7969942544156027444</id><published>2007-08-17T08:40:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T09:39:00.133-07:00</updated><title type='text'>A parte do todo ou o todo da parte?</title><content type='html'>"Pai, olha só. Existe o universo. Dentro dele está o nosso planeta. Dentro dele está o nosso País. Dentro dele está o Estado. Dentro dele, a nossa cidade. Dentro da cidade, esta casa. E aqui dentro tem a gente. Quanta coisa, né?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias antes de viajar, fui me despedir do meu avô, Pedro. "Filho, existe um mundo inteiro. E é preciso saber conquistá-lo. Mas não esqueça que a sua própria mente livre é mundo. Vá conquistá-la também."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era justamente nessa parte do todo ou no todo da parte que eu estava pensando quando sentei por alguns minutos na plataforma de trens da Hollywood Metro Station. E a resposta veio que como alegoria. Um senhor de pele bem negra, barba bem branca, chapéu preto, calça e colete de um azul petróleo, carregando uma bolsa, veio direto em minha direção. Das costas ele sacou outra bolsa e... de lá tirou um violão afinadíssimo! Lindo! Simplesmente começou cantar um folk delicioso. Dançou, sorriu e mudou para um blues pesadíssimo, cuja letra lhe ocorria naquele instante e obedecia apenas às frações de segundo. Já tendo atraído a atenção de toda a plataforma, soltou dos pulmões o último refrão: "Hollywood or Hollywird??? Come on ya'all! The train is coming!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vagão, dois brothers rastafaris discutiam religião. Amistosamente. Um argumento daqui, outro argumento de lá. Análises atrás das outras. A não ser eu, quase ninguém se importava. E lógico que fui sentar bem ao lado deles só pra ouvir e apreciar o debate. A terra prometida, Israel, Nazaré, Galiléia, Jesus, Deus, os judeus, os negros, os humanos sob o mesmo teto, a África, os escravocratas colonizadores europeus, os espanhóis que traficaram escravos por toda a América, os nossos corações hoje, o respeito pelo próximo, um Jesus negro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Auto da Compadecida!!! Vocês conhecem um filme brasileiro chamado Auto da Compadecida? É genial. Pra resumir, trata de um brasileiro sofredor que sempre dá um jeito de sobreviver. Mas um dia ele perde e vai para o julgamento final. O Diabo quer mandá-lo ao Inferno pela parte do todo mal que viveu. Mas a parte do todo pura o coloca diante de um Jesus negro! Talvez isso queira dizer que somos iguais diante de Deus, mas cada um com as suas próprias amarguras e vitórias."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Eu não entrei na conversa. O diálogo com os rastas permaneceu só aqui no meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...a Nigéria - a terra dos Nigers, daí o termo -, o cristianismo na África...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, claro! Aksun, norte da Etiópia. Cristianismo ortodoxo. Acredita-se que a arca com a tábua dos 10 mandamentos está escondida lá até hoje, naquela igreja gigantesca encravada numa rocha, vocês conhecem? Indiana Jones total!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nope, não abri a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... falou irmão, vou descer aqui. Como é mesmo o seu nome?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-7969942544156027444?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/7969942544156027444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=7969942544156027444' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/7969942544156027444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/7969942544156027444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/parte-do-todo-ou-o-todo-da-parte.html' title='A parte do todo ou o todo da parte?'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-8201840304568645677</id><published>2007-08-16T09:19:00.000-07:00</published><updated>2007-08-16T09:48:16.917-07:00</updated><title type='text'>A fauna angelena</title><content type='html'>Opa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira noite de trabalho não se esquece. Ninguém lá no Farmer's Market acreditou que eu ainda tinha de pegar ônibus e metrô pra ir embora. Mas era exatamente o que eu pretendia, ignorando qualquer pressão nos tornozelos em razão do dia de caixeiro. Tecla 1, pesa, total, dá o troco, thank you. Tecla 1, pesa, total, dá o troco, thank you. Tecla 1, pesa, total, dá o troco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora às 21h00. A noite de Los Angeles é estranha. Finalmente as pessoas mais interessantes saem nas ruas. Caminhei pela Fairfax para chegar ao ponto de ônibus bem atrás do prédio da CBS. Onde aliás três hippies estavam sentado no chão pintando uma camisetas... no maior astral, sacou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É legal caminhar por aquelas ruas. Logo veio o ônibus pro metro. Negros, latinos, americanos brancos desapegados, americanos brancos pobres. Um deles todo eufórico com as histórias do colega salvadorenho. "Tem floresta em El Salvador???". O cara ficou tão surpreso com a surpresa do outro que gaguejou: "Bem, sim, mas só na parte norte, na parte sul se concentram as cidades". Então tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma aventura antropológica se abria. Senti falta de um caderninho nas mãos pra começar a escrever (uma falha para um jornalista). Mas a memória me salva. O metrô de LA é bem bonito, limpo e tal. Reúne loucos mesmo. Mas eu gosto dessa coisa de observar pra dentro e pra fora do trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo de cara entrou que começou a fazer ginástica nos assentos. Muito performático: usou todas as barras e manetas possíveis, em movimentos por mim impraticáveis. Depois entrou um alemão que ficou muuuuito puto porque a bateria do discplayer tinha acabado. "Oh, fuck this shit!!! Does anybody has some battery to sell????" "No??? How come anybody has a bettery to sell???" É verdade. Como assim, ninguém tinha uma bateria pra arrumar e resguardar sua viagem musical?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recostei a cabeça e procurei olhar na mão contrário. Eis que as portas se abriram e aparece uma mulher, digamos de porte mastodonte. Até que parecia uma cantora gospel, dessas do interior norte-americano. Mas usava um vestidinho creme, curtíssimo, frente única. 3kg de banha esparramando por cada abertura. Sentou e começou a falar sozinha. Tudo bem! Quem se importa? Ela estava conversando, dialogando, se divertindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou bem ao lado de um latininho (por favor, não me levem por preconceituoso). Que estava puto também porque o trem demorava a partir. Aproveitando o fato de ter levantado e dado passagem à volumosa mulher, começou a apertar tudo quanto é botão. Inclusive os botões de emergência. Até que a voz do rádio: "May I help you sir?". "YES, JUST GOOOOOO!!!!". Genial, ele disse exatamente o que eu queria dizer o "motorista" daquela locomotiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura o metrô já seguia pela superfície. Então eu podia observar toda a noite da cidade. A parte louca de LA; dowtown iluminada; as cidades fora do centro; as freeways.... e a vida passando na cabeça. Desviei a atenção quando entra um cara vendendo chocolates. Nossa, paisagem brasileira bem familiar. Não disse uma palavra. Só segurava a caixinha de sneakers... Aí ele foi lá no canto e se agaixou. De repente o cara caiu de lado! E ele próprio começou a dar risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, cheguei na estação final. Aí tinha uma menina. Novinha. Junkie total. E grávida. Tinha tomado o trem errado e queria saber como voltar pra LA. E aqui tive de ensiná-la. Desci e fui direto ao terminal de ônibus. Afinal tinha ainda mais dois pra pegar. Meia dúzia de gatos-pingados. Chegou um cara, meio louco meio bêbado, pegou um cone (desses de trânsito), colocou na boca e começou a cantar ali. Inacreditável. Eram ainda 11h00 da noite e ele me disse que não passaria mais ônibus nenhum. Duvidei, pois a programação oficial informava saída pela noite inteira. O pior é que ele estava certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei a noite por alguns minutos e vi um taxi chegando e corri atrás. Só que ele havia sido requisitado por telefone por uma indonésia. Uma imigrante da Indonésia. Ela falou: "sobe aí. eu vou até em casa e de lá você continua". "You pay the first ride?", eu disse. "Yeah baby, jump in". Jumped. Eu, uma senhora da Indonésia e o motorista da Guatemala. Vim no maior papo com o cara. Eu querendo praticar o espanhol e ele querendo praticar o inglês. Ele falou da família dele e perguntou sobre a minha. Ficou tão feliz quando soube que eu era brasileiro! Era como se eu fosse o proprio irmão do Ronaldinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tava longe de casa. Pancho era o nome dele. "Mi nombre es Pancho. Mucho gusto. God bless you, hermano. Vaya con Diós". Tive de desembolsar 40 dólares pela corrida. Que na verdade me rendeu uma noite impagável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-8201840304568645677?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/8201840304568645677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=8201840304568645677' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8201840304568645677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/8201840304568645677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/fauna-angelena.html' title='A fauna angelena'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3977612754761952400.post-5619737906019781442</id><published>2007-08-16T09:04:00.000-07:00</published><updated>2007-08-16T09:17:54.640-07:00</updated><title type='text'>Cidade dos Anjos</title><content type='html'>Yeap,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desembarquei em Los Angeles. Só pra mudar um pouco de ares, de fauna, de cheiros, de formas e de conteúdos. Com a bússola no bolso e só. Nada de GPS, satélites ou qualquer novas cartas de navegação high-tech.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só observando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiros dólares bem gastos: Sgt Peppers (o mais importante disco de rock da história, segundo a Rolling Stone) por 10 dólares na Virgin Records. E um Post Office, primeiro romance de Charles Bukowski, por 13 buks (com o perdão do trocadilho), na Barnes &amp; Noble.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cinco dias aqui no circo arrumei um emprego no caixa de uma churrascaria brasileira no Farmer's Market, o mercadão multicultural entre Hollywood e Beverly Hills. Como caixa. Legal, excelente ponto de observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui começam minhas histórias angelenas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3977612754761952400-5619737906019781442?l=losangelescircus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://losangelescircus.blogspot.com/feeds/5619737906019781442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3977612754761952400&amp;postID=5619737906019781442' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5619737906019781442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3977612754761952400/posts/default/5619737906019781442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://losangelescircus.blogspot.com/2007/08/cidade-dos-anjos.html' title='Cidade dos Anjos'/><author><name>Gui Sierra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00879582731459177671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_OTqQPOCsQsI/R19E4Ai7KHI/AAAAAAAAAAM/DmLkv6QMA7o/S220/PB270002.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
