quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Madrugada

Lindsey e' loira, seios fartos, alta, sorridente, chega sempre primeiro das outras. Ruth, baixinha, gordinha, adora falar sobre qualquer assunto. Farah e' morena dos tons paquistaneses, cabelos pretos, lisos, olhos amendoados como os das mulheres centro-asiaticas, conservando ares de misterio. Filhas da classe trabalhadora americana, de pais imigrantes que fazem turnos estonteantes nas fabricas californianas. Vinte e alguns anos de idade. Nao terminaram o colegial. Nem querem. Girls just wanna have fun. Entraram na fila do restaurante e jantaram com uma fome violenta. Lindsey pagou tudo. Ficamos felizes quando Lindsey voltou para validar o cartao do estacionamento. Ela e' daquelas garotas usam seus contornos so' para dizer "estou aqui". Foram embora sem deixar rastro... nem telefones.

Quando fechamos o restaurante, Alejandro - um mexicano que ama rap - me chamou para uma cerveja. Tomamos num dos bares do mercado. Ele e' sonhador, entende de rap. Esta' aqui para trabalhar e gravar suas musicas. Ate' me mostrou varias delas, muito boas. Nas viagens de onibus, vai sempre gravando as ideias no celular. E ele tem melhorado o ingles cada vez mais, por isso se sente livre para sair e conhecer pessoas. Ele nao gosta da mentalidade da maioria dos mexicanos de Los Angeles, que vive aqui nos subempregos apenas para jundar dinheiro e mandar pra casa. Ele viu em mim uma interseccao: a vontade de viver coisas legais e aproveitar a graninha da melhor maneira possivel.

O bar fecha cedo, entao fomos tomar outras cervejas no segundo bar do mercado, onde estava rolando um karaoke. Alejandro queria subir no palco, exercer o seu rap, torcer para alguem importante estar por la'. Ele so' precisava de um conhecido na plateia. Eu, claro, que sou ponta firme. Viramos nossas bud e Zay G (o nome artistico dele...) colocou seu nome na lista. Escolheu Eminem e mandou muito bem. Quando ele desceu, foi ate' bastante cumprimentado. E nao e' que uma cantora estava presente e trocou cartao com ele??? Ela canta profissionalmente na noite angelena e o convidou para fazer alguma coisa juntos. Quem sabe. Espero que ele nao se esqueca de mim quando for famoso.

Zay G voltou pra mesa e demos de cara com... Lindsey, Ruth e Farah. Pronto, a noite estava desenhando algo interessante. Ate' ai' nao tinhamos nos apresentado ainda, mas comecamos a conversar assim mesmo. Elas ja' tinham bebido muito mais do que a gente. E as mesas nessa altura estavam todas "integradas". Pareciamos amigos de longa data, incluindo outros caras perdidos por la'. Sempre vai chegando mais um(a). As tres e outras garotas se animaram para fazer um set de Spice Girls. Posso dizer que executaram com muita desenvoltura. Ruth tambem adora rap e adorou a apresentacao de Alejandro. Ruth morreu de inveja quando soube que fui ver Public Enemy, Cypress Hill, Wu Tang Clan e Rage Against the Machine na mesma noite. Ali ganhei a amizade e a confianca dela. Mas, de novo, o bar fecha cedo - um verdadeiro problema aqui em Los Angeles.

Resolvemos procurar outro bar. Lindsey, sempre na frente, procurando tomar conta da situacao (pois sabe que nos, babacas, vamos atras), disse que queria ir num clube de strip tease. Ficamos com aquela cara de "hum... que roubada...". Eu indiquei o Body Shop, na Sunset Strip, mas Lindsey pensou no Girls, Girls, Girls, em Hollywood. Evidentemente ela venceu. Nos juntamos em dois carros e fomos. Eu dirigindo o meu carro e ela, o dela. Acontece que o Girls, Girls, Girls, naquela hora da madrugada, nao vendia mais bebida alcoolica. Pior: 20 dolares so' pra entrar. Sem chance. Fiquei meio injuriado. Queria beber cerveja num lugar bacana. Mas ela insistiu na ideia e bateu o pezinho dizendo que queria procurar alguma coisa na Vermont. Ela estava meio no grau e disse que nao sabia ir pra Vermont. Um doce desnecessario. Entao eu fui na frente e ela me seguiu. Chegamos na Vermont e nao encontramos nada de interessante, pois a Vermont ja' esta' no final de Hollywood. Ela abasteceu o carro e, no posto de gasolina, falei com Alejandro: "cara, essa loira ta' me deixando puto".

Entre uma e outra chamada pelo celular, decidimos partir finalmente pra Sunset, o meu lugar de preferencia em Los Angeles. E' claro que encontramos um bar aberto. Um lounge legal, cheio de sofas, musica e tal. Finalmente conseguimos tomar outras rodadas de cerveja. Eu confesso que fiquei bodeado com Lindsey e gastei meu tempo conversando com Ruth. Essa sim sabe conversar. Infelizmente para uma falta cerebro e para outra, beleza. Coisa comum de acontecer pelas madrugadas. Ruth nao ficou mais bonita por causa das cervejas, mas o papo rendeu bastante. Ela me contou tudo sobre as meninas: as drogas, as fugas de casa e da escola, as revoltas contra os americanos conservadores, a musica, Bush e as guerras. Nao lembro exatamente da consistencia do dialogo.

O bar fechou de novo.

Nao deu nem tempo para a ultima rodada de cerveja.

Lindsey ainda queria entrar num strip club e pediu o Body Shop.

Nao obrigado, agora vou pra minha casa.

2 comentários:

Anônimo disse...

What up Guilherme!
Nice story!!... Sounds familiar. Mmm, haven't I heard it before??
Oh... maybe we lived it, hahaha!!!!
Take care bro, hope 2 see ya some day back in LA.
Zay G.

Anônimo disse...

ta legal velho
ainda mais q me lembro qd tu me falo dessa tal noite
hehehe
abarco