domingo, 9 de setembro de 2007

Não dormi em casa

Não dormi em casa. O rock n' roll falou mais forte. Eu tinha de ver Kings Of Leon no Greek Theatre, uma dos lugares mais bacanas de Los Angeles, um teatro de arena ao ar livre, fincado no meio das árvores do Griffith Park. Mas não tenho carro e não tinha como voltar até Orange County. Sem problemas, joguei nas mãos da Providência. Eu não perderia o show, ponto final. Aliás, talvez eu tenha de parar com essa mania, pois o débito deve estar bem alto.

Kings é uma das bandas mais legais da atualidade. Verdadeira. Sem firulas. Feeling, saca? Embarquei nessa verdade até conhecer, por acaso, um cara que trabalha como barman no... Greek Theatre! Ah Providência, o que você está fazendo comigo? Por que tantas oportunidades? Estou usufruindo do saldo ou acumulando dívida pra pagar depois? Qual é a minha, afinal? Ok, mais tarde Você me responde. "Meu chapa, posso dormir na sua casa hoje? Amanhã eu vou embora". "Porra, brother, demorou. E ainda te arrumo umas cervejas de graça".

Feito. Cheguei cedo ao local, o que me permitiu ainda caminhar pelos bosques do Griffith, alcançar o observatório (outro?) astronômico, ver toda a cidade lá de cima do parque, o letreiro de Hollywood a poucos braços de distância, ver o sol cair, me questionar e esquecer das questões, viver, respirar, estar ali. O silêncio. Pura e simplesmente. Aquelas coisas. Tomei um balde de café e voltei.

O Greek tem um clima singular. E eu já comecei o show no clima. A primeira cerveja saiu do meu bolso, mas o outro litro e meio ficou por conta da casa. Charmer me fez arrepiar. Slow Night So Long me levou às preces. The Bucket e Soft encheram meus olhos de lágrimas. Milk e Arizona colocaram-me em outro lugar. Só faltou Joe's Head pra quebrar as minhas pernas. Agradeci tanto que a Providência me deu mais de lambuja (?).

- "Oi, você tem um isqueiro?", soprou aquela voz feminina no pé do ouvido. Era uma das três loiras que "resolveram" parar ao meu lado.
- "Não, mas se você tiver um cigarro, eu aceito"
- "O cigarro que você imagina eu não tenho, mas tenho esse outro pra você e nós três aqui"
- "Então eu te arrumo um isqueiro agora!"

Oh Providência! A que te devo? Quem será que sou eu? Até onde vai a minha lista de oportunidades? Tudo bem, não quero saber. Me responda beeeem mais tarde, por favor, se não for pedir muito. E ali ficamos, eu e elas, ao som de Kings por toda a noite.

Dia seguinte eu acordei, o brother foi trabalhar e eu saí andando pelas ruas de LA até alguma idéia surgir na cabeça. Um café expresso e um bolo de banana com nozes na cafeteria mais próxima. Biblioteca Central de Los Angeles! Claro! É tudo o que eu preciso! Um bom livro, um mundo de letras, textos, capas, texturas e silêncios desconcertantes. Não, desta vez não me refugiei em Charles Bukowski. Corri direto para Literatura Estrangeira, louco para encontrar Garcí de Montalvo e as aventuras de seu Amadís de Gaula, cavaleiro de marca maior, herói, conquistador, guerreiro, livre, rei. Viajante dos bons.

2 comentários:

Thiane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Analphabeatles disse...

Tá como o capeta gosta hein Gui!!
Certíssimo. Arrependa-se do que vc faz e não do q deixa de fazer.
Brega mas é verdadeiro.
Beijo no coração.