Quatro gaivotas pousaram bem no mar raso, ali onde a onda já quebrou e a água só escorre sobre a areia. Procuravam peixinhos para a refeição. Foi o sinal para que um grupo de meninos corresse em direção ao mar, com suas ferramentas, felizes, às gargalhadas, para tentar pescar alguma coisa também.
Bom, na verdade, eu queria mesmo era falar sobre o pôr-do-sol no Pacífico. Mas me falta uma nova tábua de vocábulos para descrever um céu azul pleno e constante, daqueles que a gente desenha no jardim de infância. E aí tudo o que te resta é ficar pensando no intraduzível, conversando consigo mesmo: "ei filho, veja como isso é maravilhoso, você precisa ver isso, vem aqui comigo por favor, as pessoas precisam de paz, é só o que elas precisam". Havia um sol de circunferência exata, a dois palmos de altura do horizonte (eu medi), amarelo-dourado-alaranjado. Mas eu não sei colocar em texto o conforto daquele calor batendo na testa. E tudo o que te resta é fechar os olhos e meditar, silenciosamente, na tentativa de ver o mundo ao seu redor sem abrir as pálpebras.
Vi casais namorando à beira-mar. Vi um pai e a filhinha, calados, na borda do píer, olhando pescadores solitários. Eu poderia sim descrever cada um deles por inteiro, mas agora eu não sou capaz de explicar o significado de qualquer sensação de serenidade daquela paisagem. Vi dois artistas de rua sapateando com maestria na calçada da praia, mas, que coisa, eu não sei contar a alegria de vê-los dançar com tanta graça e liberdade. Caminhei por uma feira-livre a poucos metros da praia, com gente feliz conversando, comprando bugigangas e outras tranqueiras, jovens tocando violão, idosos de mãos dadas. E eu na minha passarela transitei desapercebido, sozinho. E vi que a estrada não tinha fim.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
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2 comentários:
Definitivamente ir para LA foi a melhor coisa que te aconteceu :-) Beijos e saudade
Gui, muito inspirador esse post, deu pra "entender" o momento, as gaivotas, o céu...
Legal!
Beijo
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