quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A fauna angelena

Opa,

Primeira noite de trabalho não se esquece. Ninguém lá no Farmer's Market acreditou que eu ainda tinha de pegar ônibus e metrô pra ir embora. Mas era exatamente o que eu pretendia, ignorando qualquer pressão nos tornozelos em razão do dia de caixeiro. Tecla 1, pesa, total, dá o troco, thank you. Tecla 1, pesa, total, dá o troco, thank you. Tecla 1, pesa, total, dá o troco...

Fui embora às 21h00. A noite de Los Angeles é estranha. Finalmente as pessoas mais interessantes saem nas ruas. Caminhei pela Fairfax para chegar ao ponto de ônibus bem atrás do prédio da CBS. Onde aliás três hippies estavam sentado no chão pintando uma camisetas... no maior astral, sacou?

É legal caminhar por aquelas ruas. Logo veio o ônibus pro metro. Negros, latinos, americanos brancos desapegados, americanos brancos pobres. Um deles todo eufórico com as histórias do colega salvadorenho. "Tem floresta em El Salvador???". O cara ficou tão surpreso com a surpresa do outro que gaguejou: "Bem, sim, mas só na parte norte, na parte sul se concentram as cidades". Então tá.

Uma aventura antropológica se abria. Senti falta de um caderninho nas mãos pra começar a escrever (uma falha para um jornalista). Mas a memória me salva. O metrô de LA é bem bonito, limpo e tal. Reúne loucos mesmo. Mas eu gosto dessa coisa de observar pra dentro e pra fora do trem.

Logo de cara entrou que começou a fazer ginástica nos assentos. Muito performático: usou todas as barras e manetas possíveis, em movimentos por mim impraticáveis. Depois entrou um alemão que ficou muuuuito puto porque a bateria do discplayer tinha acabado. "Oh, fuck this shit!!! Does anybody has some battery to sell????" "No??? How come anybody has a bettery to sell???" É verdade. Como assim, ninguém tinha uma bateria pra arrumar e resguardar sua viagem musical?

Recostei a cabeça e procurei olhar na mão contrário. Eis que as portas se abriram e aparece uma mulher, digamos de porte mastodonte. Até que parecia uma cantora gospel, dessas do interior norte-americano. Mas usava um vestidinho creme, curtíssimo, frente única. 3kg de banha esparramando por cada abertura. Sentou e começou a falar sozinha. Tudo bem! Quem se importa? Ela estava conversando, dialogando, se divertindo.

Sentou bem ao lado de um latininho (por favor, não me levem por preconceituoso). Que estava puto também porque o trem demorava a partir. Aproveitando o fato de ter levantado e dado passagem à volumosa mulher, começou a apertar tudo quanto é botão. Inclusive os botões de emergência. Até que a voz do rádio: "May I help you sir?". "YES, JUST GOOOOOO!!!!". Genial, ele disse exatamente o que eu queria dizer o "motorista" daquela locomotiva.

Nessa altura o metrô já seguia pela superfície. Então eu podia observar toda a noite da cidade. A parte louca de LA; dowtown iluminada; as cidades fora do centro; as freeways.... e a vida passando na cabeça. Desviei a atenção quando entra um cara vendendo chocolates. Nossa, paisagem brasileira bem familiar. Não disse uma palavra. Só segurava a caixinha de sneakers... Aí ele foi lá no canto e se agaixou. De repente o cara caiu de lado! E ele próprio começou a dar risada.

Bom, cheguei na estação final. Aí tinha uma menina. Novinha. Junkie total. E grávida. Tinha tomado o trem errado e queria saber como voltar pra LA. E aqui tive de ensiná-la. Desci e fui direto ao terminal de ônibus. Afinal tinha ainda mais dois pra pegar. Meia dúzia de gatos-pingados. Chegou um cara, meio louco meio bêbado, pegou um cone (desses de trânsito), colocou na boca e começou a cantar ali. Inacreditável. Eram ainda 11h00 da noite e ele me disse que não passaria mais ônibus nenhum. Duvidei, pois a programação oficial informava saída pela noite inteira. O pior é que ele estava certo.

Respirei a noite por alguns minutos e vi um taxi chegando e corri atrás. Só que ele havia sido requisitado por telefone por uma indonésia. Uma imigrante da Indonésia. Ela falou: "sobe aí. eu vou até em casa e de lá você continua". "You pay the first ride?", eu disse. "Yeah baby, jump in". Jumped. Eu, uma senhora da Indonésia e o motorista da Guatemala. Vim no maior papo com o cara. Eu querendo praticar o espanhol e ele querendo praticar o inglês. Ele falou da família dele e perguntou sobre a minha. Ficou tão feliz quando soube que eu era brasileiro! Era como se eu fosse o proprio irmão do Ronaldinho.

Eu tava longe de casa. Pancho era o nome dele. "Mi nombre es Pancho. Mucho gusto. God bless you, hermano. Vaya con Diós". Tive de desembolsar 40 dólares pela corrida. Que na verdade me rendeu uma noite impagável.

9 comentários:

Carla Meneghini disse...

Caray... tem certeza que vc está em LA mesmo? Não foi parar num manicômio por engano? hahaha
Adorei esses tipos, é bem típico de Estados Unidos, Austrália... nesses lugares ninguém liga pra ninguém, vc pode sair na rua e fazer o que quiser, vestido do jeito que quiser, que niguém está ligando mesmo. Enjoy!!!
E continua descrevendo que tá muito bom!!
bjs e saudades

Thiane disse...

Eba!!! Disseminei bem o legado dos blogs hahahaha Adorei as histórias. Não esquece de manter informada dos punks. Beijos

Gui Sierra disse...

Pois é, cada figura né?
Thi, os punks circulam por aí, mas não tanto como em NY né. Eles se misturam bem. Preciso mesmo é pegar um gueto bacana. Teve Buzzcocks semana passada, mas não deu preu ir. O engraçado é que tem uma loja na Universal City, dentre tantos desenhos animados e tal, só com camisas de Circle Jerks, Germs, DK, Sex Pistols...
bjs

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